A implantação de um novo modelo de gestão no Hospital das Clínicas (HC), ligado à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), está gerando impasse. De um lado, os servidores da unidade, que paralisam hoje as atividades por 24 horas alertando para o risco de “privatização” dos serviços. Do outro, a direção da instituição universitária, que alega seguir uma determinação do Ministério da Educação (MEC) ao repassar a administração para a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). “O assunto será discutido pelo conselho, mas se não for aprovado, o hospital vai continuar do jeito que está”, diz o diretor superintendente George Telles, referindo-se ao déficit de pelo menos 900 funcionários que, teoricamente, só podem ser contratados por meio da Ebserh.
Dos 46 hospitais universitários do País, 30 já se enquadraram nas novas regras apresentadas pelo MEC. O hospital universitário de Porto Alegre já nasceu dentro da nova norma. “Será um ganho no aprendizado dos estudantes e para a sociedade, além da chance que o HC tem de ter uma emergência”, defendeu o gestor.
A Ebserh é uma estatal criada pela Lei Federal nº 12.550 de 2011, que tem por finalidade prestar serviços às instituições públicas federais de ensino, respeitando as diretrizes e políticas estabelecidas pelo Ministério da Saúde, mas sendo da responsabilidade do MEC.
George Telles informou que o Hospital das Clínicas, devido ao Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), passou por melhorias na estrutura e adquiriu novos equipamentos de alto custo, mas que muitos desses benefícios não estão sendo utilizados. O motivo seria a falta de funcionários que possibilitem essas atividades. O HC poderia ser, por exemplo, pioneiro em pesquisas na área de doenças tropicais, mas faltam engenheiros que modifiquem a sala para receber os equipamentos já comprados.
A mesma situação se repete na modernização dos elevadores, na instalação da ressonância magnética em uma sala adequada, na utilização de todos os centros cirúrgicos (dos 10, apenas seis estão em funcionamento) entre outras atividades.
MOVIMENTO
Para os servidores, os problemas têm outra origem. “Alguns fatores como o grande volume de recursos aplicados no HC através do Rehuf e a não sugestão da possibilidade de mudança de gestão, nos faz acreditar que todo o descaso do HC é uma tática da administração para justificar a contratação da Ebserh”, justifica o diretor jurídico do Sindicato dos Trabalhadores da UFPE, José Everaldo. A categoria também traz para o embate a ampliação do número de plantões de 11 para 14, descumprindo o acordo firmado durante a greve do ano passado de implantação de uma jornada flexibilizada, com carga horária de 30 horas semanais, divididas em turnos e escalas.
Se o conselho administrativo aprovar a adesão da Ebserh, três técnicos se juntarão à equipe médica do HC para estudar as necessidades do hospital.
Fonte: Jornal do Commercio



