SERVIDORES DO HC MANTÊM PROTESTOS

Enfermeiros, auxiliares de enfermagem e técnicos administrativos do Hospital das Clínicas (HC) e servidores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), à qual a unidade de saúde está vinculada, paralisaram as atividades, na manhã de ontem. Eles reivindicam redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais sem alteração salarial, não adesão à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) e eleições diretas para os cargos suplementares da UFPE. Sem conseguir avançar na questão, após reunião com o reitor Anísio Brasileiro e assembleia dos servidores, decidiram parar novamente no dia 8 de maio.

Cerca de 150 manifestantes caminharam do hospital à reitoria com cartazes e apitos reivindicando o afastamento imediato da atual gestão do HC, dirigido por George Telles desde 2007. Na reunião com representantes do Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Federais de Pernambuco (Sintufepe), o reitor afirmou que não vai acatar o pedido porque, segundo ele, o problema não está na direção da unidade.

Aos gritos de “Cadê autonomia? Nossa saúde não é mercadoria”, Iolana Freire, enfermeira-chefe de cirurgia na área de urologia e ginecologia do HC, era uma das que pediam o cumprimento da promessa de campanha do reitor quanto à redução de 14 plantões por mês para dez (30 horas semanais). “Os profissionais da saúde pública lidam com vidas. Precisamos de condições físicas e infraestrutura para trabalhar com qualidade. Do jeito que está, funcionários e pacientes estão correndo riscos”, reclamou.

MELHORIAS

George Telles explicou que manutenção e melhorias no hospital só serão feitas quando a UFPE aderir à Ebserh. “Desde o ano passado, a Ebserh serve ao Ministério da Educação e 30 das 46 unidades hospitalares universitárias já aderiram ao novo modelo de gestão, que tem sido eficiente.”

Os servidores são contra a adesão da Ebserh para assumir a gestão do hospital porque enxergam, na mudança, o fim da autonomia da instituição e a possibilidade de privatização. “A Ebserh é pública, mas de direito privado, o que significa que, se o conselho responsável por definir o futuro do HC optar pela submissão, empresas particulares vão estar no controle do hospital, criado para ser dos professores, médicos, estudantes e seus pacientes”, declarou Guilherme Costa Neto, membro do Sintufepe.

O reitor Anísio Brasileiro declarou que não vai decidir nada sob pressão e propôs a criação de um conselho, que deve ser convocado em até 15 dias, para debater o assunto.

Fonte: Jornal do Commercio

 

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