A falta de estrutura, as irregularidades em escalas e episódios de constrangimento contra médicos, fizeram o Conselho Regional de Medicina (Cremepe) e o Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) decretar intervenção ética no Hospital Dom Moura, em Garanhuns, no Agreste. Durante uma vistoria no hospital na semana passada, representantes das entidades encontraram diversas irregularidades, principalmente nas escalas de plantão, além de falta de estrutura e equipamentos.
Com a interdição, os médicos do Dom Moura podem suspender o atendimento, caso faltem condições de trabalho. Sem profissionais suficientes, principalmente na emergência, só serão atendidos casos onde o risco de morte seja iminente.
“A falta de estrutura dispensada pelo governo do Estado está colocando em risco os pacientes e os profissionais de saúde daquela unidade”, disse a presidente do conselho, a médica Helena Carneiro Leão.
Os setores mais atingidos são a emergência pediátrica, o bloco cirúrgico, a neonatologia e a traumatologia. “O Dom Moura não tem mais um diretor-geral, nem clínico, nem administrativo. A diretora-geral hoje é uma enfermeira sem especialização para isso”, citou Helena Carneiro Leão.
O presidente do Simepe, o médico Mario Jorge Lôbo , explicou que não existe integração no governo. “O Dom Moura é um hospital de referência, tanto para casos de alta complexidade quanto para os estudantes da Universidade de Pernambuco, que deveriam ter aulas na unidade de saúde”, lembrou. “Mas não existe condição alguma”.
Sem especialistas, como pediatras, alguns clínicos gerais chegaram a ser constrangidos para atender na emergência.
“Algumas vezes a Polícia Militar esteve no local e obrigou que o atendimento acontecesse, mesmo sem ser caso de urgência nem da especialidade do plantonista”, registrou Helena Carneiro. O comandante do Batalhão de Garanhuns também já recebeu relatório sobre os casos.
Outro problema citado no relatório foi a alta de atendimento nos postos de saúde do município. Sem o serviço básico na rede pública de Garanhuns, a população acaba recorrendo ao Dom Moura.
“Aí a situação se agrava. Em vez do atendimento de alta complexidade, para o qual estão preparados, os médicos plantonistas trabalham com atendimento ambulatorial”, lembrou Mário Lôbo.
O relatório completo da vistoria e o pedido de intervenção vai ser encaminhado à Secretaria de Saúde de Pernambuco. O Ministério Público também recebeu uma queixa sobre o caso.
Na semana passada uma operação policial prendeu quatro pessoas: a ex-diretora do hospital, Emília Pessoa, e os servidores Lúcio Ferreira, o porteiro Marcone Araújo e a servidora Maria Veridiana. Eles são acusados de desviar R$ 260 mil do hospital. Emília conseguiu um habeas corpus e desde sexta-feira está desaparecida. Ela é considerada foragida pela polícia.



