Seis por meia dúzia

Antigamente, dizia-se que hospitais particulares pareciam um SUS melhorado. Mas, no ritmo em que a saúde privada segue, pode ser que daqui a pouco o SUS se ofenda com a comparação. Citar exemplos da “penitência” que se paga à espera de atendimento em alguns dos grandes hospitais do Recife parece repetitivo, mas não dá para resistir a contar mais outros: recentemente, pessoas se queixaram à coluna que até conseguir chegar na frente de um médico da emergência do Hospital Unimed, um paciente pode esperar quatro horas. A análise de sempre é que a qualidade do serviço só piora, enquanto a demanda só aumenta.Conheço o caso de uma mulher que, com crise renal aguda, esperou cerca de oito horas para conseguir internamento no Hospital Esperança. Enquanto o plano não dava sinal verde e não aparecia um quarto disponível,permanecia sentada, recebendo medicação para conter as dores. Virou comportamento quase geral, com reclamações sobre péssimo atendimento anotadas em vários hospitais. O problema com operadoras é tão antigo que, só para lembrar, ensejou a criação da Associação de Defesa dos Usuários de Planos de Saúde (Aduseps), há 15 anos, e ainda hoje aquelas que operam no sistema são um dos “calos” mais incômodos da ANS, tantas as queixas contra elas. De médicos credenciados em número insuficiente, passando pelos procedimentos sem cobertura ou que demoram demais para receber autorização, até a preferência por clientes particulares, a lista é extensa. Mas se chover no molhado não surtisse efeito, o provérbio “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura” já estaria a sete palmos do chão. No entanto, continua sendo um dos preferidos de gente que não joga nunca a toalha. São exatamente essas pessoas que fazem a diferença para que mudanças ocorram, pois detestam precisar escolher entre seis e meia dúzia.

Fonte: Diario de Pernambuco

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