Ambulatório de Chagas

A doença de Chagas é produzida por um protozoário de nome Trypanozoma cruzi. O transmissor é um inseto conhecido no Brasil como barbeiro, causando danos graves ao coração e ao sistema digestivo, sendo na maioria das vezes fatal. As manifestações clínicas iniciais são febre, dificuldade respiratória e o chagoma de inoculação, que é a marca deixada na pele após a picada do inseto. Juntamente com malária, tuberculose e leishmaniose, ela faz parte do grupo das doenças negligenciadas. Não apresenta características democráticas por atingir em sua grande maioria apenas as classes socioeconômicas desvalidas. Sua incidência, antes restrita a determinadas áreas topográficas, agora se globalizou, estendendo-se mundo afora devido ao incremento migratório dos grupos portadores. No Brasil, cerca de 2 milhões de pessoas são afetadas. É doença esquecida, contando com pouco estímulo e interesse por parte do Governo, da comunidade médica, da sociedade e dos meios de comunicação. A indústria farmacêutica que só pensa em lucro financeiro, nada investe em pesquisa. Para que vocês tenham uma ideia, até hoje só existe uma medicação usada para seu tratamento: o benzonidazol. O principio ativo do remédio era fabricado pelo Laboratório Roche, porém, como a infecção está entre as descuidadas, a empresa, não tendo mais interesse em fabricá-lo, doou a patente ao governo brasileiro, que escolheu a Nortec para fornecer a matéria prima. O Lafepe é o único produtor mundial da droga. Os pobres pacientes viviam ao Deus dará, abandonados, sem assistência, morrendo à míngua, até 1987, quando foi criada, por iniciativa do doutor Wilson Oliveira Júnior, a Associação dos Portadores de Doença de Chagas, uma entidade sem fins lucrativos e sem vinculação político-partidária. Ligado ao Hospital Universitário Oswaldo Cruz e ao Procape, tem como objetivo principal o atendimento ao paciente da doença de Chagas e de insuficiência cardíaca, numa abordagem multidisciplinar. Ao longo dos últimos anos, o ambulatório vem participando de inúmeros projetos – nacionais e internacionais -, destacando-se o de terapia celular. Na opinião de doutor Wilson Oliveira, “a atenção integral ao paciente chagásico refere-se à assistência em sua globalidade, levando em consideração o conjunto de determinantes biológicos, psicológicos e sociais, pois não podemos olvidar que o ser humano é resultante da inserção desses fatores. Esse olhar abrangente ajuda na tomada de decisões mais próximas de sua realidade”.

P.S.: O professor Wilson Oliveira foi recentemente empossado como membro efetivo da Academia Pernambucana de Medicina. Parabéns ao grande médico e humanista!

Amaury Medeiros é membro da Academia Pernambucana de Letras

Fonte: JC

 

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