Por Gilson Edmar Gonçalves e Silva
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Este templo da história da medicina pernambucana foi construído para ser sede própria da Faculdade de Medicina, criada poucos anos antes por Otávio de Freitas. Foi inaugurado em 1927, com espaços, na época, adequados a uma escola médica e com uma bela arquitetura do início do século 20, que motivou seu tombamento como um patrimônio pernambucano. Atrás do prédio situa-se outro menor, onde funcionou o Serviço de Verificação de Óbitos e que hoje é sede do Instituto dos Arquitetos do Brasil-PE, também tombado, por ser um exemplo de um estilo arquitetônico modernista.
Com a transferência da Faculdade de Medicina para a Cidade Universitária, o prédio foi utilizado pelo Colégio Militar. A perseverança de Fernando Figueira fez o Exército devolvê-lo à UFPE, tendo o professor instalado no local a Academia Pernambucana de Medicina, por ele criada. Posteriormente outras instituições médicas foram ocupando seus espaços, para que o prédio viesse a cumprir seu papel de berço da nossa medicina. Além da Academia, com papel relevante de difundir o conhecimento médico, tem grande atuação no Memorial o Museu da Medicina, a Sociedade Brasileira dos Médicos Escritores, a Sociedade de Pesquisa e Estudos da Terceira Idade, o Instituto Pernambucano de História da Medicina, a Sociedade dos ex-alunos da Faculdade de Medicina e a Academia de Artes e Letras de Pernambuco. Infelizmente grande parte das dependências foi cedida à Covest, que ainda o ocupa, o que dificulta o prédio ser sede da memória médica de Pernambuco.
Na gestão de Luiz Barreto na Coordenação do Memorial da Medicina, aquele espaço cultural ganhou vida, com numerosas reuniões científicas e com a ampliação de Museu, criado por Leduar de Assis Rocha e consolidado por José Falcão, Presidente do Instituto da História da Medicina.
O local contém um enorme e extraordinário acervo museológico, com cerca de 5.000 peças e é frequentemente visitado pela sociedade.
A UFPE precisa doar à Covest um local adequado e seguro às suas atividades, deixando o espaço ora ocupado para ampliação deste museu vivo da medicina pernambucana. Valioso acervo ainda se encontra no Centro de Ciências da Saúde (CCS), que sucedeu à Faculdade de Medicina, após a reforma universitária. Quando estive como Diretor do CCS, separei documentos e peças para completar a nossa história médica. Mas não havia e não há espaço no Memorial para abrigar dignamente todo este material.
Existe ainda um projeto de instalação de uma estação de barcos, ao lado deste monumento histórico da medicina, tombado pela nossa cidade e com ocupação parcial da Praça Otávio de Freitas. A escolha não parece ter sido técnica, pois antes outros locais foram designados, sendo vetados por algumas instituições, que se acharam prejudicadas pela sua proximidade. É fundamental que a atual gestão do Memorial da Medicina se posicione contra esta violação histórica, pois as Instituições que lá estão abrigadas já o fizeram, sem o retorno esperado da Coordenação da Casa, da Administração Central da UFPE e das autoridades responsáveis pela construção da estação de barcos.
Gilson Edmar Gonçalves e Silva é médico neurologista e membro do Instituto da História da Medicina
Fonte: Jornal do Commercio



