Crise: faltam médicos na Maternidade Fernandes Salsa, em Limoeiro

Simepe vem realizando visitas nas maternidades do Estado

No último sábado (30), os diretores do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), Cláudia Beatriz e Tadeu Calheiros, estiveram na Maternidade José Fernandes Salsa, no município de Limoeiro, após tomarem ciência da ineficaz operacionalização da unidade de saúde devido aos desfalques na composição das escalas de plantão, ocasionando frequente restrição de atendimentos.

Durante a visita, os diretores avaliaram positivamente a estrutura da maternidade, que apresenta condições físicas e equipamentos adequados e disponibilidade de leitos, porém, com extrema carência de recursos humanos, nas especialidades de obstetrícia e ginecologia, e principalmente, anestesia e neonatologia.

Neste sábado, por exemplo, a unidade contava apenas com dois obstetras, inviabilizando a maternidade de internar  gestantes em trabalho de parto, pela ausência de anestesistas no plantão.

Segundo  o obstetra Edmundo Magalhães, que está na unidade há 16 meses, encaminhar pacientes para outros municípios por falta de equipe tornou-se tarefa corriqueira. “Eu venho à maternidade, quero trabalhar, mas não tem anestesista e nem neonatologistas. O serviço fica fechado”, explicou.  Ainda de acordo com o médico, o sentimento é de desconforto.   “Já precisei fazer boletins de ocorrência, para relatar a situação”, finalizou.

De acordo com o diretor do Simepe, Tadeu Calheiros, esse é um problema grave e tem causados diversos efeitos negativos em toda a rede materno-infantil do Estado. O assunto é tão sério que a discussão já está a cargo do Ministério Público de Pernambuco (MPPE).  “O Sindicato tem conhecimento que há profissionais, o que precisa é redirecionar as equipes para a necessidade dos serviços, implantar uma política de valorização e de estímulo para que os profissionais assumam e permaneçam nesses municípios, além de convocar o concurso público”, sugeriu.

A diretora do Simepe, Cláudia Beatriz, chama a atenção e aponta que parte da superlotação nas maternidades da Região Metropolitana do Recife (RMR) se deve a falta de compromisso em regionalizar os serviços e de um plano de interiorização dos profissionais. “A construção de novas maternidades é bem vista e desejada, entretanto, para ter funcionalidade é preciso de recursos humanos. É fundamental que haja médicos e equipes completas. É premente a necessidade de uma política de estímulo à interiorização que deverá ser pensada com urgência pelas três esferas de entes federados (federal, estadual e municipal). ”, explicou.

Ainda de acordo com a diretora, que também é obstetra, a maternidade de Limoeiro é um excelente  exemplo de que só hospital não irá resolver a crise, é preciso investir em profissionais e capacitar os serviços, otimizando leitos que hoje encontram-se subutilizados. “Há médicos querendo trabalhar e existem hospitais e leitos disponíveis”, pontuou.

A avaliação da visita à Maternidade José Fernandes Salsa será repassada ao Ministério Público, junto aos demais relatórios que o Simepe possui sobre as condições das maternidades do Estado.

TV Web Movimento Médico | Cremepe, Simepe e AMPE

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