Médicos, residentes e estudantes de medicina se reuniram na tarde desta terça-feira (25/06) no memorial de medicina, no Derby. O grupo paralisou as atividades durante todo o dia e se reuniu em Assembléia Extraordinária Geral para definir os próximos passos da categoria, após o pronunciamento da presidente Dilma Rousseff de trazer “imediatamente” médicos estrangeiros para atuarem no Brasil.
A AGE foi solicitada pelo Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), com o apoio do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) e da Associação Médica do Estado (AMPE). O presidente do Simepe, Mário Jorge Lôbo, iniciou o discurso explicando o objetivo da reunião, “viemos às ruas lutar por condições de trabalho, serviços estruturados, além disso, defendemos o Revalida (exame de revalidação do diploma médico) e a carreira de estado” pontuou Lôbo. Os profissionais criticam os vínculos precários, salários defasados e falta de financiamento para a saúde. Neste último quesito o presidente sugeriu o investimento de uma parcela do Produto Interno Bruto (PIB) para a área. “Queremos investimento de 10% do PIB para a saúde” acrescentou Lobo.
Na seqüência, o secretário de comunicação do Simepe, Sílvio Rodrigues, garantiu a importância do movimento. “Pernambuco foi o primeiro Estado do Brasil a começar a luta. Queremos carreira de Estado, condições de trabalho, salário com o piso Fenam”, disse Rodrigues. A categoria saiu às ruas no dia 20 de junho, no protesto que levou mais de 50 mil pessoas pelas avenidas do Recife, e desta vez, volta a se unir para mostrar a indignação da classe em relação à proposta do governo federal de trazer profissionais sem a revalidação dos diplomas.
Para a presidente do Cremepe, Helena Carneiro Leão, a assembléia foi histórica. “É uma tarde histórica para Pernambuco, porque é o primeiro Estado a se mobilizar contra o posicionamento da presidente da república de trazer médicos para o país sem o Revalida” Indicou. O Conselho já havia se posicionado, em nota oficial, contrário ao discurso de Dilma, uma vez que defende a carreira médica de Estado e as condições de trabalho na capital e interior do Estado, com a devida validação dos diplomas. Segundo o conselheiro Ricardo Paiva, ou a categoria aceita as medidas da presidenta ou vai à luta. “Precisamos pensar em três pontos, o primeiro é estarmos unidos, a categoria deve ser única, o segundo ponto seria os médicos terem os mesmos salários dos profissionais estrangeiros e o terceiro aspecto é a importância do Revalida e do teste de fluência na língua portuguesa” explicou Paiva. Ele ainda finalizou indicando que o Cremepe não irá registrar nenhum médico, sem o Revalida, quando foi muito aplaudido.
Por fim, o presidente do Simepe, junto aos profissionais presentes, definiu as deliberações da AGE. A primeira medida seria sair nas ruas até a praça do Derby para realizarem um ato público. Em seguida, os médicos decidiram se unir a paralisação nacional (que está sendo esperada pata o dia 3 de julho). Também foi definido que serão feitas assembléias permanentes para acompanhar as negociações dos médicos estrangeiros. O grupo ainda deliberou que serão desenvolvidas duas cartas abertas: uma para a população explicando os riscos da atuação de um médico sem o Revalida e colocando a posição das entidades. Já a outra carta será encaminhada para o governo do Estado, para as prefeituras e Amupe, para que não contratem médicos sem o Revalida. E por fim, os médicos também concordaram em enviar fotos e informações das unidades de saúde para divulgação no Simepe e construir uma campanha publicitária.
Assim, os médicos munidos de faixas e cantando rimas em prol do Revalida, saíram em caminhada pela Avenida Agamenon Magalhães, que foi fechada por alguns minutos.



