CONSUMIDOR Apenas 3 empresas oferecem plano individual. Amil extinguiu vendas do produto. Já Camed e Golden Cross impõem restrições
Leonardo Spinelli
lspinelli@jc.com.br
Desde o início do mês três operadoras de saúde deixaram de vender planos individuais ou restringiram a comercialização da modalidade. Na última quinta-feira, a Amil extinguiu as vendas de planos individuais. A Camed e a Golden Cross passaram a impor restrições ao produto, informam corretores de seguro ouvidos pelo JC. No Recife, quem quiser contratar individualmente um plano neste momento só terá disponível produtos da Unimed Recife, Hapvida e Viva Planos de Saúde.
Se quiser outras bandeiras, o usuário terá de contratá-las por meio dos planos por adesão, disponíveis através das administradoras de benefícios Qualicorp e Unifocus (da Amil) ou via contratos de pessoa jurídica com, no mínimo, duas vidas seguradas, para o caso de microempreendedores individuais. Os planos por adesão exigem que a pessoa seja vinculada a alguma entidade de classe ou sindicato. O mercado segue o caminho trilhado há mais de uma década pelas seguradoras Sul América e Bradesco Saúde, que abandonaram os planos individuais e operam apenas no mercado de planos coletivos.
Com isso, os corretores de planos de saúde perdem cada vez mais mercado, mas a maior perda mesmo é para o próprio cliente, que passa a não ter garantida uma série de benefícios previstos pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). “Ao contratar um plano coletivo, a pessoa é enquadrada como pessoa jurídica. Com isso, ela fica sujeita a dois reajustes de preço por ano: o aumento anual do setor e o por sinistralidade, que acontece quando a pessoa usa muito o plano. Além disso, a operadora pode rescindir o contrato de forma unilateral, caso ele não seja economicamente viável para a empresa”, explica o corretor de seguros Mário Batista Filho.
A maior liberdade para reajustar preços na modalidade coletiva é o que leva as operadoras a abandonarem cada vez mais os planos individuais, que sofrem uma regulação mais forte. O reajuste anual para os planos individuais é definido pela ANS, enquanto no caso do coletivo as empresas são livres para definir qualquer índice de aumento. De 2000 a 2012, o mercado de planos individuais cresceu cerca de 76%, o que representa um aumento de 5,6 milhões de beneficiários para 9,9 milhões no fim do ano passado. Neste mesmo período de 12 anos, os planos coletivos passaram de 11,3 milhões de usuários para 37 milhões, num crescimento de 227%, um ritmo três vezes maior.
A Golden Cross e a Camed confirmaram que restringiram suas vendas aos canais próprios – Golden Fone e loja-sede da Camed, respectivamente. A Amil não negou o movimento. Informou apenas que “está estudando uma renovação de sua grade de produtos em comercialização”.
Fonte: Jornal do Commercio



