Aos poucos, médicos migram para o Interior

Alguns profissionais médicos têm seguido o caminho inverso da maioria e acabam optando em exercer a profissão em cidades do Interior do Estado. Motivados pela comodidade de municípios menos populosos e agitados, eles deixam os grandes centros urbanos em busca de novos desafios e da realização profissional. A migração da classe médica para o Interior ainda é tímida. Para incentivar o interesse, as residências médicas surgem como solução para estreitar os vínculos entre os médicos e as cidades interioranas. Hoje, no segundo dia da série de reportagens, abordaremos a crescente parcela de médicos que deixam as metrópoles e fixam residência nas cidades do Interior. Amanhã, terceiro e último dia da série, abordaremos o impacto dessas medidas do Governo Federal na saúde pública.

Qualidade de vida

“O médico tem os mesmos anseios da maioria das pessoas, se instalar onde der condições de trabalho, de ganhar dinheiro, sem comprometer sua qualidade de vida”, foi com essas palavras que o médico Manoel Florêncio defendeu seu retorno à Caruaru depois de mais de dez anos atuando nas capitais do País. De acordo com o imaginologista, o retorno à terra natal ultrapassava a ligação afetiva com o lugar. “Não era uma questão de voltar apenas por gostar, mas principalmente porque via na cidade todas as oportunidades que abastecia os grandes centros urbanos, sem a correria, congestionamentos, barulho, criminalidade”, relatou o médico, que hoje preside um dos maiores e mais importantes centros de diagnóstico do Estado. A dermatologista Susane de Menezes foi enfática, ao explicar sua mudança para Petrolina, “se continuasse na Capital entraria num colapso nervoso”. A mãe de dois meninos afirmou ter optado em ir morar na cidade natal do marido, depois de constatar que seu nível de estresse estava atrapalhando sua vida pessoal e profissional. “Não comia direito, não tinha tempo de ficar com meus filhos, por mais que eu corresse, tudo demorava mais do que o previsto. Mas foi depois que fui assaltada que decidi vir para Petrolina. Já faz seis anos e não me arrependi. Meu retorno financeiro chega a ser maior que antes”, declarou.

Comodidade para trabalhar

Ainda não existe um estudo que comprove, mas o Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) defende a estimativa de que grande parte dos médicos que atualmente exercem a profissão nas cidades do Interior, já moraram ou têm familiares nos municípios. Natural de Arcoverde, mas criado em Belo Jardim desde criança, Tito Barros, hoje cirurgião geral, decidiu retornar a cidade que o acolheu depois de uma longa passagem pelas capitais do Sudeste. “Essa realidade está próxima de mudar, mas o estudante que quer fazer medicina tem que ir para a Capital, fazer residência na Capital, mas não propriamente ficar na Capital. Sempre tive no meu íntimo que um dia voltaria e voltei”, declarou. Movido pelo desejo de estar perto dos parentes e amigos, Tito regressou a Belo Jardim e trouxe consigo a esposa, também médica. Ambos abriram consultório e há quatro anos inauguraram o Hospital Santa Fé.

Amor à profissão

Apesar de os polos médicos do Interior estarem se firmando, ainda são muitos os municípios que sequer oferecem atendimento básico. Por falta de médicos nos postos de saúde e hospitais municipais, os moradores minguam em busca de socorro médico, mesmo que em cidades vizinhas. Tendo em vista essa realidade, existem àqueles que abraçam uma causa e não a esquece. Pedro Melo é cirurgião geral e escolheu estudar medicina para prestar serviço aos moradores de Lajedo. “Sou filho de Lajedo. Morei fora muitos anos, mas vimmorar em Caruaru e escolhi fincar raízes aqui pela proximidade comminha terra natal. Divido o meu tempo entre lá e aqui”, relatou o médico. A história de Pedro Melo não é uma exceção. Por amor a profissão, não é difícil encontrar relatos de doutores que abriram mão de se lançar nas grandes cidades para fazer o seu papel humanitário. “É como dizem, é vocação. Sempre quis ser médico para ajudar o próximo”, contou o clínico geral Geraldo Antônio Farias.

Fonte: Folha PE

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