Em assembleia na noite de ontem, categoria definiu calendário de paralisações
Larissa Rodrigues
Os médicos pernambucanos das redes pública e particular vão parar as atividades nos dias 23, 30 e 31 deste mês. Serão mantidos somente os atendimentos de urgência e emergência. Serviços como ambulatório, cirurgias agendadas e Programa de Saúde da Família ficarão suspensos. A paralisação integra o movimento nacional da categoria contra a falta de condições de trabalho e as ações recentes do governo federal na área da saúde, sobretudo, a Medida Provisória (MP) nº 621, que permite a contratação de médicos estrangeiros sem o Revalida, o exame de validação do diploma. A estratégia da categoria é desgastar o governo com paralisações de 24 horas para que a opinião pública não fique contra os médicos e minimizar os transtornos.
Na assembleia geral, ocorrida na noite de ontem, quando mais de 300 profissionais estiveram reunidos na Associação Médica do Estado, o presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto d’Ávila, foi categórico: “trazer médico estrangeiro sem revalidar o diploma é passar por cima da autonomia universitária. Essa MP tem inúmeras inconstitucionalidades”.
De acordo com d’Ávila, os médicos não se negam a trabalhar nos locais mais afastados, mas faltam condições de trabalho. Também foram votadas outras formas de protesto contra as ações do governo federal. Uma delas é a instituição de um grupo de trabalho para construir um canal de denúncia da falta de estrutura das unidades de saúde.
A categoria conta com o apoio da Ordem dos Advogados do Brasil. O presidente da Comissão de Saúde da OAB-PE, Eduardo Dantas, participou da assembleia. “Estamos auxiliando as entidades médicas a entenderem o sistema jurídico dessas medidas adotadas pelo governo”. Presidente do Sindicato dos Médicos, Mário Jorge Lobo destacou que também foi aprovada uma carta aberta para informar o que acontece com a categoria.
Fonte: Diario de Pernambuco



