SAÚDE Com uma semana de lançado, número de inscritos já ultrapassa quantidade de vagas oferecidas pelo programa: 10,4 mil. Apenas 8% dos candidatos são estrangeiros
BRASÍLIA – Pouco mais de uma semana após o lançamento, no último dia 8, o número de inscritos no programa Mais Médicos do governo federal, que pretende levar profissionais para cidades do interior do País, já tinha superado ontem o número de vagas oferecidas, que é de 10,4 mil, chegando a 11,7 mil candidatos.
O programa enfrenta enorme resistência da classe médica, contrária especialmente à contratação de estrangeiros. Porém, menos de 8% dos médicos inscritos até ontem são estrangeiros. Dos 11.701 inscritos, apenas 915 são de fora.
O número de inscritos acima do esperado pelo Ministério da Saúde levou o ministro Alexandre Padilha a determinar que a ouvidoria do órgão telefone a todos os candidatos que já têm algum outro tipo de vínculo empregatício para checar a veracidade do interesse pelo programa.
Segundo Padilha, a suspeita surgiu há uma semana, quando o ministério começou a receber denúncias de que médicos estariam se organizando pelas redes sociais para fazer inscrições mesmo sem interesse e depois desistirem do posto, apenas para perturbar o processo. A estratégia dos médicos seria atrasar a “importação” de estrangeiros.
O Conselho Federal de Medicina (CFM), por meio da sua assessoria, afirmou desconhecer qualquer movimentação contra o Mais Médicos. Afirmou ainda que não partiu do CFM nenhum comando para que inscrições fossem feitas em massa para posterior descredenciamento.
Padilha pediu que a Polícia Federal acompanhe a movimentação. A PF, no entanto, afirma que o pedido – que precisa ser feito pelo Ministério da Saúde ao Ministério da Justiça – ainda não chegou, mas como várias consultas foram feitas, os policiais estariam monitorando as inscrições. “Desde segunda, o Ministério da Saúde, através da sua ouvidoria, está ligando para médicos que se pré-inscreveram e que já têm outros vínculos, como residência médica, para perguntar se realmente querem participar do programa”, explicou Padilha.
Pelo Mais Médicos, o ministério pretende pagar salários de R$ 10 mil aos candidatos e colocá-los em cidades que hoje têm vagas sobrando e não conseguem contratar ninguém. As prioridades são cidades do interior – hoje 700 municípios não possuem nenhum médico – e as periferias das grandes cidades, onde há infraestrutura mas não há profissionais.
A prioridade é para profissionais brasileiros interessados no programa, mas o governo prevê a contratação de estrangeiros para suprir as vagas não preenchidas por médicos nacionais, sem a necessidade de validação do diploma. Os estrangeiros fariam um curso simplificado de adaptação para trabalhar apenas nos locais indicados pelo governo.
Fonte: Jornal do Commercio



