Doença sexualmente transmissível precisa de atenção especial Cuidado com a sífilis congênita
LUIZ FILIPE FREIRE
Que as doenças sexualmente transmissíveis amedrontam muita gente, todo mundo sabe. O perigo de muitas delas, no entanto, é a falta de sintomas claros e a desinformação de boa parte das pessoas sobre a forma de preveni-las e de tratá-las. É o caso da sífilis congênita, enfermidade passada da mãe infectada para o filho recémnascido. Médicos alertam, porém, que grande parte dos casos pode ser evitada com o acompanhamento médico regular e a boa vontade dos parceiros dessas mulheres.
Conforme o epidemiologista George Trigueiro, do Hospital Albert Sabin, metade dos casos poderia ser evitada com o diagnóstico precoce e o tratamento correto. “Muitas mulheres só descobrem que têm a doença no pré-natal, porque é exigido que se faça o teste. Até aí, ela pode ter mudado de parceiro e infectado outras pessoas. E mesmo após curada,durante a gravidez, o companheiro dela, que não foi tratado, pode acabar passando a doença de novo, causando sequelas ao bebê”, explica.
Os primeiros sinais de que a pessoa tem sífilis são o surgimento de pequenas feridas no órgão genital, o que dias após o sexo desprotegido. Os caroços não doem, não incham e podem desaparecer sem tratamento. Tempos depois, também podem aparecer manchas róseas na pele, que igualmente somem sem deixar rastro. Entretanto, no terceiro estágio da enfermidade, que pode surgir em meses ou anos após a infecção, o paciente pode ter complicações graves, como cegueira, paralisia, problemas cerebrais e cardíacos, podendo até morrer. Já o feto que herda a sífilis pode acabar com sequelas no coração, na arcada dentária ou morrer na barriga da mãe até o terceiro mês de gestação ou mesmo na hora do parto.
Ainda conforme George Trigueiro, é possível curar o mal com um tratamento à GEORGE Trigueiro diz que principal desafio é incentivar a prevenção da doença base de injeções de penicilina. O desafio, porém, é incentivar a prevenção. “É preciso estimular que homens e mulheres sexualmente ativos que sabem que passaram por um ato sexual sem proteção façam a testagem sorológica o quanto antes. Fica um alerta para a população masculina. Isso evita a propagação da doença”, completa o médico.
O exame pode ser feito em qualquer unidade de saúde básica da Prefeitura do Recife. Basta que o paciente faça uma consulta com um especialista da área e solicite o teste. No caso das gestantes, a triagem é obrigatória diante do pré-natal e ocorre nas maternidades Professor Arnaldo Marques, no Ibura; Professor Bandeira Filho, em Afogados; e Professor Barros Lima, em Casa Amarela.
Fonte: Folha de Pernambuco



