Modelos semelhantes, acessos diferentes

Espanha, Suécia, Inglaterra, Itália e Portugal têm modelos de saúde universal semelhantes ao SUS. A saúde pública é financiada com recursos de tributos arrecadados pelo Estado. A prestação de serviços é pública e pode ser complementada pelos seguros de saúde. No Brasil, o SUS está aberto a todos, inclusive aos estrangeiros. Quem quer o “plus” dos serviços privados paga um plano de saúde, troca a enfermaria por um quarto individual. São 1.538 operadoras, que comercializam 59.855 tipos de planos  médicos e odontológicos. Um mercado que fatura R$ 95 bilhões por ano.

Fonte: Diario de Pernambuco
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) regula e fiscaliza as empresas do setor. André Longo, presidente da ANS, diz que o Brasil tem um sistema peculiar de assistência à saúde. “Hoje o sistema é duplicado. As pessoas que têm plano não abdicam do direito da assistência pública para cobrir as mesmas características.” Ele acha que o atual modelo deve ser redefinido. “Como há um subfinanciamento crônico do setor público, existe a ameaça à sustentabilidade do sistema”, alerta.

Estudiosa do tema, a coordenadora de Estudos e Políticas de Saúde do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Luciana Servo, aponta diferenças entre o SUS no Brasil e os modelos francês, canadense e inglês. Nesses países, o usuário não precisa ir para a fila de consulta e depois correr atrás para fazer os exames. Ao se consultar, o sistema diz exatamente o que pode ter cobertura pública e o que é privada.

Há outras diferenças estruturais: em alguns desses países, o médico não pode abrir um consultório privado aleatoriamente, sem comprovar a demanda. No Brasil, os médicos atuam livremente no setor público e no privado. “Essa regulação é possível quando existe decisão política e social. O Brasil convive com a desigualdade.”

O diretor do Departamento de Regulação, Avaliação e Controle do Ministério da Saúde, Fausto Pereira dos Santos, aponta como gargalo maior do SUS o atendimento de média complexidade. Enquanto no sistema privado, o desafio é ampliar os leitos hospitalares e de urgência.

 

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