LUTA CONTRA AIDS ONG Viva Rachid, que há 20 anos ajuda crianças soropositivas, agora pede socorro para não fechar portas
Em 1993, após a morte prematura de Rachid, filho de 8 anos, em decorrência da aids, Alaíde Elias da Silva deu início às atividades que se tornariam referência nacional no apoio a crianças soropositivas. O grupo Viva Rachid, nos Coelhos, área central do Recife, virou ONG oficialmente no ano seguinte. Em 1997, ganhou os Prêmios Criança e Paz e Betinho, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Hoje, após 20 anos ajudando tanta gente, é o Viva Rachid que precisa de ajuda para não fechar as portas.
Sem profissionais voluntários e repasse dos R$ 80 mil anuais, por meio de convênio com o governo federal, cada dia pode ser o último da ONG. “Geralmente, a criança chega aqui encaminhada pelo Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip). A gente identifica a vulnerabilidade e faz o cadastro. Doamos alimentos, leite para amamentação de crianças até seis meses, material de higiene e brinquedos. Precisamos de doações de tudo”, explicou Alaíde.
A preocupação com o repasse de donativos é comum entre os mantenedores de ONGs. Para Alaíde, no entanto, o problema vai além. Diz respeito às despesas básicas que mantêm as portas abertas para as 60 crianças e adolescentes que contam, hoje, com esse apoio. “De três anos para cá, a crise aumentou. Apenas três das sete salas estão funcionando por causa de infiltrações no teto. Há seis meses, parte do gesso começou a cair”, lamentou.
Desde 2010, o sustento do Viva Rachid vem de doações de pessoas físicas, mas nunca são suficientes para pagar nem as contas de água, luz e telefone. Para piorar a situação, no fim de junho, as duas últimas funcionárias do grupo tiveram que ser demitidas. Agora, a ONG não tem mais psicóloga nem assistente social. Alaíde está sozinha.
“Eu já recebi muita ajuda do Viva Rachid, até a minha casa eu pude reformar graças ao pessoal. Quando adotei Camila, ela tinha 1 ano. Com pouco mais de 2 anos, teve toxoplasmose e ficou de cadeira de rodas. Hoje, está com 18 e o Viva Rachid ainda nos ajuda. De vez em quando, recebemos doações, que são fundamentais para que possamos viver. Sem esse apoio, eu não teria conseguido”, afirmou a dona de casa Luzinete Maria dos Santos, 58 anos.
Ela encontrou a filha adotiva em uma calçada do bairro de Piedade, em Jaboatão da Guararapes, Grande Recife, com infecção, desnutrição e HIV positivo. “Eu não tinha condições de criá-la, mas deixá-la lá eu também não podia. Temo que histórias como a minha e de Camila tenham finais muito infelizes se o grupo Viva Rachid fechar.”
Os interessados em ajudar podem telefonar para 3221-6206 ou 9728-0623. Também é possível fazer doações na conta nº 1910/0, da agência 1839-2, do Banco do Brasil.
Fonte: Jornal do Commercio



