Profissionais se sentem desvalorizados

“Estamos vivendo um momento difícil”, frisou a presidente da Associação de Defesa dos Usuários de Seguros, Planos e Sistemas de Saúde (Aduseps), René Patriota. Segundo ela, além da falta de médicos, o setor privado está se tornando pouco atrativo para os profissionais porque não os tem valorizado financeiramente. Outro fator que complica as emergências de grandes hospitais são os planos somente hospitalares. Nessa categoria os contratos não abrangem as consultas marcadas, e os clientes recorrem às emergências por questões simples.

Ela destacou que algumas especialidades, a exemplo da pediatria e clínica médica, apresentam dificuldade de profissionais até mesmo na rede privada e que isso tem se tornado uma tendência de mercado, já que estes seriamos de menores salários. “Para parto de plano enfermaria, o obstetra ganha R$ 480. Esse valor é para estar no parto, fazer a visita no dia seguinte e dar a alta a paciente. O valor para o pediatra que acompanha o parto R$ 250. É uma guerra atender por esse preço”, informou. O baixo valor do pagamento nos procedimentos a essas duas categorias está fazendo estes profissionais sumirem do mercado.

Flávio Wanderley, da Abramge, frisou ainda um fator que gerou correria entre os planos e hospitais: as novas determinações da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) sobre prazos para atendimentos. O problema é que mesmo nesse redimensionamento há áreas descobertas, o que implica uma volta ao SUS de vários clientes privados. De acordo com Wanderley, o Brasil ascendeu muito socialmente e a população agora tem outras prioridades como saúde privada, só que o serviço particular não conseguiu acompanhar esse processo, ficando na sobrecarga que hoje se encontra.

Fonte: Folha de Pernambuco

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