BRASÍLIA (ABr e Folhapress) – A presidente Dilma Rousseff quer que os médicos que atuam nas Forças Armadas possam trabalhar também no Sistema Único de Saúde (SUS). O fim da restrição aos médicos militares está previsto na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 122/2011, que tramita no Senado e foi discutida ontem pela presidente com senadores líderes da base aliada.
“É uma perspectiva de termos um reforço significativo de médicos, principalmente porque as Forças Armadas estão em áreas de difícil acesso, como regiões de fronteira, onde temos uma dificuldade imensa de levar médicos e profissionais de saúde”, avaliou a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti.
A estimativa, segundo Ideli, é que “milhares de médicos” poderão passar a atuar no SUS, se a restrição para acúmulo de cargos de integrantes das Forças Armadas for derrubada com a mudança na Constituição. A forma de contratação dos profissionais na rede pública de saúde será discutida posteriormente, de acordo com a ministra. Além da votação da PEC 122, o governo quer apoio da base aliada para aprovação da medida provisória que regulamenta o Programa Mais Médicos. A expectativa do Palácio do Planalto é aprovar o texto ainda em setembro, sem necessidade de prorrogação da validade da medida provisória.
PROGRAMA
A primeira chamada do programa Mais Médicos deverá fixar 938 profissionais em 404 cidades do Brasil. Esses números atendem a apenas 6% da demanda das cidades por médicos (15.460 vagas) e contemplam 11,5% dos 3.511 municípios que se inscreveram no programa. A maioria dos profissionais confirmados (51,8%) atuará em capitais ou regiões metropolitanas. Mais de dois mil municípios inscritos foram ignorados pelos candidatos, que não listaram essas cidades como as suas prioridades.
Esse primeiro resultado leva em conta apenas os médicos que atuam no Brasil – os formados no País ou os que revalidaram seus diplomas. A baixa participação dos nacionais no programa fez o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, avaliar que a vinda do estrangeiro será essencial. “Ficou evidente que só a oferta nacional de médicos será insuficiente para, rapidamente, cobrir a demanda por médicos no interior e periferias”, afirmou Padilha. Até o momento, contudo, apenas 1.920 estrangeiros se pré-inscreveram no programa e têm até a próxima segunda-feira para confirmar a participação.
Fonte: Folha de Pernambuco



