Aids não escolhe gênero

Com cerca de 18 mil infectados pelo vírus do HIV, Pernambuco trava, ano a ano, uma verdadeira guerra contra a epidemia de aids. Isso porque, apesar dos avanços da medicina em relação a doença imunológica, não se tem registrado redução significativa nos casos. Mesmo com as campanhas de alerta sobre as formas de prevenção e contágio, o Estado registra, em média, 1,2 mil novos casos por ano. Outro aspecto que vem se delineando neste cenário é a maior presença de heterossexuais e mulheres nesta lista. O grande desafio continua sendo a implantação de serviços e tecnologias de acompanhamento da população.

“É um cenário que tende a um controle, mas não deixa de ser preocupante”, afirmou o coordenador do programa estadual Doenças Sexualmente Transmissíveis DST/Aids do Estado, François Figuerôa. Segundo ele, ao longo dos anos era esperada uma redução mais acentuada, o que não acontece. De 1983, quando foi notificado o primeiro caso da doença em Pernambuco, até hoje, os perfis dos soropositivos mudaram bastante. Entre 1993 e 1990, 45,8% deles eram homossexuais. De 2004 até 2012 os heterossexuais ocupam o topo com 73,4%. Isso demonstra a decadência do conceito de grupo de risco, de acordo com Figuerôa. “Todos nós estamos em risco. Fez sexo sem camisinha está vulnerável”, frisou. O coordenador chamou a atenção, também para o fato de as mulheres estarem se equiparando os homens. “A razão era de 21 homens para uma mulher. Nos últimos três anos passou de 1.7 homem para cada mulher”, informou.

A dona de casa E.S, 51 anos, faz parte dessas duas novas facetas das estatísticas. Diagnosticada com o vírus em 3 de outubro de 2011, ela acredita que se contaminou com um antigo parceiro, que era casado. “Quando fiz a descoberta o procurei para que ele ficasse em alerta, até porque ele também tem a esposa. Mas ele não quis falar do assunto”, confidenciou. A dona de casa afirmou que a preocupação não era para buscar um culpado, nem dar desculpas para a doença, uma vez que as relações sexuais eram consentidas e parte do namoro. “A transmissão do HIV é “romântica” em Pernambuco”, taxou coordenador do programa estadual DST/Aids. Ou seja: apaixonadas, mulheres confiam na fidelidade dos parceiros. Descuido, portanto, é a principal causa da infecção entre a população feminina.

Além da luta contra a propagação da Aids, os vírus das hepatites (A, B e C), também contraídos sexualmente, são igualmente preocupantes. De 2007 até hoje foram 6,5 mil casos notificados, mas o número é bemmaior que os oficiais. “Sabemos que há uma subnotificação muito grande”, firmou François Figueroa. Ele acredita que a nova política nacional de tratamento da doença, implantada este ano, dará mais informações sobre o cenário real em Pernambuco.

Fonte: Folha de Pernambuco

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