Quantidade sem qualidade no Agreste

A dona de casa Juliana Pereira de Melo, 20 anos, sofria com uma dor na clavícula quando foi entrevistada sobre a situação de médicos na cidade de Águas Belas, distante do Recife 273 quilômetros. Localizado no Agreste pernambucano, o município conta com dez Postos de Saúde da Família (PSFs) e um hospital municipal para atender a uma população de aproximadamente 41 mil habitantes. No entanto, segundo os moradores da cidade, a quantidade de unidades de saúde não corresponde à qualidade de atendimento. A principal queixa é a mesma: falta de médicos.

No Hospital Doutor João Secundino de Souza. Juliana era um exemplo entre as vítimas da situação. “Quebrei a clavícula numa queda. Uma semana depois e ainda não fui atendida. Tive que colocar essa faixa para ficar segurando, porque não estava aguentando a dor. Minha mãe vai tentar marcar novamente ou vou ter que ir para Garanhuns”, queixou-se.

A ausência de médicos nas unidades do SUS, segundo a pesquisa do CNM, acontece porque muitos deles se dividem entre o trabalho no setor público, os consultórios particulares e atuação no setor privado. Além disso, existem jornadas de horários diferenciados, onde muitas vezes são feitos acordos entre os médicos e os contratantes. Situações como essas acabam prejudicando pessoas como Dalmone Bezerra Cavalcanti, 18, de Águas Belas. Com uma filha de 1 ano e seis meses, Dalmone tem dificuldade para marcar com de pediatra.

O diretor do hospital municipal, Antônio Rocha, rebate as críticas. “Todos os nossos plantões estão completos. Temos médicos todos os dias da semana. Quando acontece de faltar é uma eventualidade, como hoje. Inclusive, nas segundas-feiras, o hospital tem dois médicos no plantão”.

No município de Correntes, visitamos o Hospital Municipal acompanhados do prefeito Edmilson da Bahia. “A maior dificuldade aqui é a falta de recursos. Quando assumimos a gestão, não havia nenhum médico na cidade. Agora, temos sete plantonistas, mas é difícil cumprir o calendário de pagamento. Um médico que faz plantão durante a semana ganha R$ 1,5 mil. Nos finais de semana, R$ 2,5 mil. O dinheiro que recebemos para a saúde não é suficiente para isso”.

Ainda em Correntes, a dona de casa Maria Nazaré Ferreira de Melo, 37, esperou receber o pagamento do benefício para levar o filho Bruno de 13 anos para fazer um exame particular. “O menino estava cheio de manchas pelo corpo e a médica passou em junho um exame para saber se era rubéola. Só vou fazer agora porque estava sem dinheiro, e a prefeitura também não oferece”, reclamou Nazaré, acrescentando que o filho foi curado após um medicamento indicado por um farmacêutico.

Fonte: Diario de Pernambuco

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