Sob a coordenação do Simepe, os médicos, professores e preceptores das faculdades de medicina e hospitais universitários do Estado estiveram reunidos em Assembleia Geral, na noite desta quinta-feira (22), auditório da Associação Médica, bairro da Boa Vista/Recife. O objetivo foi o de discutir as implicações da Medida Provisória (MP) 621/20139, com a chegada de médicos para o Programa “Mais Médicos” e a situação dos hospitais universitários no Estado. A categoria vai intensificar a mobilização, para inviabilizar o programa do Governo Federal e, ao mesmo tempo, denunciar o sucateamento e abandono em que se encontra os hospitais universitários no Estado.
Na opinião do vice-presidente do Simepe, Fernando Henrique Cabral, é preciso mobilizar e conscientizar, ainda mais, os estudantes, professores e preceptores sobre s contradições do Programa Mais Médicos, lançado pela presidente Dilma Rousseff em 08 de julho passado. “ Temos que alertar aos colegas para não assumirem a responsabilidade (preceptoria) desses profissionais vindos de outros países sem o Revalida, por ser um desdobramento inevitável da proposta do governo para tentar levar médicos para essas regiões mais distantes, sem oferecer infraestrutura adequada”, destacou.
Questionamentos
Na quarta-feira (21), o governo anunciou que 4 mil médicos cubanos virão ao Brasil para atender no SUS, num convênio intermediado pela Organização Panamericana de Saúde (Opas). O Brasil repassará à Organização exatamente a mesma quantia que pagará aos médicos brasileiros: R$ 10 mil por mês, mais até R$ 30 mil de custos de mudança, num contrato total de R$ 511 milhões até fevereiro de 2014. Todos os recursos vão ser entregues ao governo cubano, que fará o desembolso, em média, em outros contratos semelhantes, 30% do recebido pelo Governo de Havana.
O diretor de comunicação do Simepe, Silvio Rodrigues, voltou a questionar, por exemplo, a forma autoritária do Ministério Saúde em relação ao “Programa Mais Médicos”, com a entrada de profissionais, sem antes terem seus diplomas revalidados e comprovados o conhecimento da língua portuguesa, além das condições de trabalho mínimas e adequadas para poder proporcionar um atendimento digno à população. “Não há dúvidas que as medidas do governo brasileiro foram planejadas a partir de interesses próprios, distante do real debate com a sociedade e as entidades médica para construção do SUS, mantendo a precarização dos vínculos de trabalho no interior do Estado e, consequentemente, agravando a concentração de médicos nas Capitais”, enfatizou.
O Simepe já convocou a categoria para uma Assembleia Geral, segunda-feira (26), às 19h30, no auditório da AMPE, com a finalidade de discutir e planejar novas estratégias contra o Programa “Mais Médicos”.



