BRASÍLIA (AE) – O desembarque de brasileiros em 454 cidades, hoje, marca a estreia de fato do Mais Médicos, programa lançado em julho pelo Governo Federal para ampliar a oferta de profissionais em áreas consideradas prioritárias. A chegada atenderá a demanda de apenas 13% dos municípios que se inscreveram na primeira etapa da iniciativa. A timidez da estreia é ainda mais marcante nos estados do Norte. Amapá, por exemplo, deverá receber três médicos brasileiros. Acre e Roraima, por sua vez, ficam, cada um, com nove profissionais. Ceará é o estado que vai receber maior contingente: 106médicos, seguido da Bahia, com 103. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse estar convicto de que a acolhida dos profissionais nas cidades hoje será bem diferente da chegada dos cubanos ao País, na semana passada. “Estou certo de que eles serão muito bem recebidos pela população. Há um anseio pela chegada deles”, disse. Na primeira fase do programa, 3.511 cidades requisitaram 15.460 profissionais para trabalhar no atendimento de saúde local.
A resposta ao convite foi pequena: 1.096 médicos brasileiros e outros 282 estrangeiros. Há ainda quatro mil cubanos, recrutados por meio de um acordo firmado entre o governo brasileiro e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). Desse convênio, 400 já desembarcaram no País. Os demais são esperados até dezembro. Na última sexta-feira, uma nova etapa de inscrições, tanto de médicos quanto de cidades interessadas em participar do programa, foi concluída. O novo balanço, com números de novas cidades e candidatos às vagas, deverá ser divulgado hoje. A ideia é fazer chamamentos mensais até que a demanda seja totalmente atendida.
JUSTIÇA – Pelo menos 13 médicos brasileiros e estrangeiros formados em universidades do Paraguai, da Bolívia, do Peru e da Venezuela conseguiram na Justiça o direito de participar do programa Mais Médicos – que vai pagar uma bolsa de R$ 10 mil para que eles atuem no interior do País. Segundo a advogada Mirtys Fabiany Azevedo Pereira, todos tiveram as inscrições barradas porque se formaram em países em que a proporção de médicos é menor do que a do Brasil, que é de 1,8 por mil habitantes. “Esses médicos moram no Brasil e tentam revalidar o diploma para trabalhar aqui já faz algum tempo. Consegui demonstrar para a Justiça que eles não estão saindo desses países só agora”, explicou.
Fonte: Folha PE



