Em audiência, presidente da FENAM diz que saúde é tratada como moeda eleitoral pelo governo

Indicados pela bancada do partido Democratas, representantes de entidades médicas puderam expor sua posição acerca do Programa Mais Médicos em debate realizado na tarde desta quarta-feira (04), no Plenário da Câmara dos Deputados. A ocasião fez parte de um cronograma de audiências requisitado por parlamentares para analisar a MP 621/2013. Em sua exposição, o presidente da Federação Nacional dos Médicos (FENAM), Geraldo Ferreira, acusou o governo de não respeitar a lei e tratar a saúde como moeda eleitoral. 

“Nós defendemos que se siga a legislação brasileira e realize concurso público para levar o médico ao interior. A medida trata da importação de mão de obra com caráter precário e sem direitos trabalhistas, utilizada como moeda eleitoral”. Assista à íntegra na FENAM TV!

Deputados manifestaram apoiam à luta do movimento médico e questionam também o desrespeito à lei trabalhista do Brasil e o subfinancimento da saúde. Ronaldo Caiado (GO/DEM) disse que o discurso do ministro da saúde, Alexandre Padilha, sobre a concentração de médicos nos grandes centros, já havia sido mostrado pelas entidades médicas há anos. “A verdade é que nunca se teve prioridade em atender a população carente desse país. Esse projeto se trata de uma farsa, é político eleitoreiro”.

Também foi contestada a contratação através da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) ter aparecido somente depois das emendas terem sido apresentadas. Outro convidado pelo DEM para dar seu depoimento, o médico cubano Carlos Rafael Jorge Jiménez, declarou que “quem apoia o governo de Castro, suja suas mãos de sangue”. Segundo ele, o médico em Cuba trabalha entre 60/70 horas semanais e recebe em torno de 70 reais, aproximadamente 1 real por hora.

Falaram em nome do movimento médico sindical brasileiro: Paulo Argollo Mendes, presidente do Sindicato dos Médicos do Rio Grande do SUL (Simers); o da Federação Regional Nordeste, José Menezes; o do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (Sinmed-RJ), Jorge Darze; o do Sindicato do Estado do Ceará (Simec), José Maria Pontes e o do Sindicato dos Médicos do Sergipe (Sindimed-SE), João Augusto.

Confira fotos da ocasião

Restante das audiências para debater a MP 621/2013:

Dia 10/09: sobre formação profissional, aumento de vagas de medicina, além da extensão do curso em dois anos a serem cumpridos, obrigatoriamente, no SUS.

Dia 17/09: sobre as relações de trabalho, a realidade na atuação do país, contrato com os profissionais e as condições dos médicos estrangeiros, em especial os de Cuba.

Fonte : Fernanda Lisboa

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