Com a alienação total de todos os planos individuais ou familiares da Golden Cross no Brasil para a Unimed Rio, no mês passado, os mais de 16 mil usuários da empresa em Pernambuco ainda estão sem norte. A nova carteira de identificação já deveria ter sido entregue aos clientes, mas boa parte sequer recebeu comunicação oficial da comercialização entre as operadoras. Rede credenciada confusa e hospitais sem qualquer indicativo de atendimento na nova dinâmica também são entraves. Uma ação civil pública será depositada hoje na Justiça do estado de Pernambuco com o pleito de que uma unidade física da Unimed Rio seja implantada em solo pernambucano.
A ação partirá da Associação de Defesa dos Usuários de Seguros, Planos e Sistemas de Saúde (Aduseps). “As carteiras de saúde não estão sendo emitidas, os boletos estão vindos com reajuste e o descumprimento contratual de clientes, que possuíam uma modalidade de plano superior e agora estão com uma modalidade inferior ao que eles adquiriram com a antiga Golden”, listou Renê Patriota, presidente da entidade. Vale destacar que a Golden Cross manteve a carteira de planos empresariais, coletivos e por adesão.
Para os usuários, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) informa que qualquer atendimento já marcado deve ser realizado, independentemente da rede credenciada na nova operadora. A venda da cartela de usuários foi autorizada pela ANS e esse compromisso foi firmado pela gestão das duas operadoras (confira o quadro abaixo com orientações aos usuários). “A Unimed Rio tinha obrigação de encaminhar comunicado aos beneficiários, publicá-lo em jornais de grande circulação e emitir novas carteiras”, diz nota da agência reguladora. A Unimed Rio não respondeu sobre o assunto e, por meio de sua assessoria de imprensa, limitou-se a informar que no site www.unimedrio.com.br consta toda a rede credenciada.
O presidente do Sindicato dos Hospitais de Pernambuco (Sindihospe), Mardônio Quintas, reitera a falta de informação. “Nenhum prestador de serviço, como hospitais e clínicas de exames, recebeu qualquer informação ou anúncio da nova empresa pós-comercialização. Os hospitais não têm como atender porque desconhecem a empresa e isso tem provocado problemas nas recepções. É um amadorismo essa falta de informação”, criticou.
A professora Estela Sampaio, de 71 anos, foi vítima do processo. “Não recebi nada em casa. Não tenho carteirinha da Unimed Rio e quase tive que pagar a consulta particular.
A sorte é que o médico me atende há mais de dez anos e não cobrou. Tenho exames marcados para a semana que vem e, apesar de afirmarem que o atendimento é obrigatório, já sei que vou ter dor de cabeça”, antecipou. “Pago quase R$ 900 de mensalidade e sou cliente Golden há 20 anos”, desabafou.
Fonte: Diario de Pernambuco



