Vítimas de acidentes de trânsito com motos

Renata Leal *

As vítimas de acidente de trânsito envolvendo motocicletas constituem a maioria dos atendimentos das urgências traumato-ortopédicas em Pernambuco. A maior parte das lesões poderia ser facilmente evitada com o uso de calçados e de equipamento de proteção adequada. Os acidentes mais graves e não menos comuns são causados por motociclistas alcoolizados, os quais chegam nos serviços com múltiplas fraturas e muitas vezes vão a óbito.

Os acidentes motociclísticos são um problema grave para o Sistema Único de Saúde, pois as lesões necessitam de materiais específicos de síntese (placas, parafusos, fixadores externos, próteses) e exigem uma permanência prolongada nos hospitais dada a gravidade dos traumas. Geram, portanto, um alto custo ao Estado e também aos planos de saúde.

Dentre as lesões mais comuns traumatológicas decorrentes de acidentes motociclísticos observam-se as amputações e fraturas de dedos dos pés e das mãos, as fraturas da perna, tornozelo, punho e antebraço. Mas, infelizmente, são frequentes as múltiplas fraturas nos membros e até mesmo os traumatismos cranioencefálicos (TCE), principalmente quando associados ao álcool.

As crianças sofrem as consequências da imprudência dos pais. Não é raro observarmos nas emergências crianças que estavam em garupas de motocicletas com fraturas graves. A lei brasileira permite que a criança acima de 7 anos ande em garupa de motocicleta. A desobediência à lei que determina esta idade é frequente do mesmo modo que a desobediência a outras leis (como uso de calçados e capacete), o que finda por ocasionar graves lesões e suas sequelas nas crianças. Nesses casos, são mais frequentes as fraturas de ossos da perna e do fêmur.

Esta legião de motociclistas imprudentes e seus acidentes geram um ônus altíssimo ao INSS dada a grande quantidade de sequelados e aposentados em decorrência do trauma. Há grande impacto econômico já que o perfil acometido é de um jovem economicamente ativo do sexo masculino. Muitos dos acidentados são oriundos do interior onde é rotina não possuírem carteira de habilitação, idade adequada ou uso de capacete. Neste locais, a falta de fiscalização favorece os acidentes.

É rotina nós depararmos com motociclistas calçando sandálias ou até mesmo descalços nas ruas do Recife e da periferia. O simples uso de calçados adequados poderia prevenir grande parte das lesões. Como no caso das fraturas e amputações dos dedos dos pés, que, na maioria dos casos, seria evitada com o simples uso de sapatos fechados. O uso de equipamento de proteção mais específicos como joelheiras cotoveleiras, botas, além do imprescindível capacete, diminuiria sobremaneira os danos aos motociclistas.
A imprudência, a direção após consumo de álcool, a falta de fiscalização (principalmente na periferia do Recife e no interior) são os maiores responsáveis pelo número de acidentes.

*Médica traumatologista e ortopedista
especialista em cirurgia da mão

Compartilhe:

Deixe um comentário

Fique por dentro

Notícias relacionadas