Para entidades, recursos da união são insuficientes

O pacote de socorro financeiro aos hospitais filantrópicos e casas de misericórdia anunciado pelo Governo Federal, anteontem, foi comemorado com ressalvas pelas entidades de saúde em Pernambuco. O plano inclui o repasse de R$ 40 milhões para 20 hospitais do Estado localizados no Grande Recife, Agreste e Sertão. O montante será destinado para o pagamento do incentivo de contratualização que dobrou, subindo de 25% para 50% do valor pago aos atendimentos de média e alta complexidade. Para a Federação Pernambucana dos Hospitais Filantrópicos, o incremento de receita ameniza os problemas financeiros, mas a luta da categoria é revisão da tabela de pagamento do Sistema Único de Saúde (SUS).

O presidente da federação e diretor do Hospital Tricentenário, Gil Brasileiro, comentou que a unidade recebia de aporte por mês do Ministério da Saúde (MS) cerca de R$ 140 mil e passará a quase R$ 300 mil a partir de 2014. Apesar de dobrar o dinheiro, a reivindicação das unidades sempre foi outra. “O plano representa muito. Mas não é o que a gente queria, não é o que pleiteávamos junto ao Ministério, mas o próprio ministro nos disse para esquecer a tabela do SUS”, reclamou. “Percebemos que essa ajuda não resolve o problema de financiamento do SUS”, endossou o discurso o diretor do Hospital Santo Amaro, Fernando Costa. Para ele, a estratégia do MS foi segurar os hospitais em contratualização.

Costa comentou que a injeção de mais 900 mil por ano na unidade suprirá o deficit de caixa e não é suficiente para promover melhorias significativas no hospital. “Hoje a remuneração do SUS cobre 60% dos procedimentos de média e baixa complexidade. Os 40% sai do bolso dos filantrópicos, comprometendo o capital de giro”, explicou. Por isso este aporte diminuirá o percentual desembolsado pelo próprio hospital. De acordo com Costa, no Brasil mais de dois milhões de unidades filantrópicas e santas casas estão com endividamento de aproximadamente R$ 15 bilhões. Para as entidades com dívidas com a União o governo criou um programa para renegociar os débitos o (Prosus).

Fonte: Folha de Pernambuco

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