Severina dos Ramos do Nascimento, 65 anos, passou a semana com a garganta inchada e dolorida. Diabética há mais de 20 anos, estava angustiada com a falta de atendimento, mesmo morando a menos de 100 metros da unidade de saúde da família (USF) de Dois Carneiros Baixo I, em Jaboatão. O lugar estava há dois meses sem médico. “Tive que ir à UPA. Aplicaram uma injeção e voltei para casa, mas o problema não foi resolvido”. Nesta semana ela poderá, finalmente, se consultar. É que começou a trabalhar ontem um dos 13 cubanos que vão atuar na cidade pelo Mais Médicos. Ontem, ao visitar a unidade, o ministro de Saúde, Alexandre Padilha, anunciou que até março de 2014 outros 503 estrangeiros deverão aportar em Pernambuco. Com a chegada deles serão 700 contratados vindos do exterior.
O ministro visitou o posto na companhia do colega cubano, Roberto Ojeda, e da diretora da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Carissa Etienne.
Ainda tentando superar as dificuldades com a língua portuguesa, o cubano Nivaldo Rios Serrano atendeu ontem os quatro primeiros pacientes. Ele trabalhará das 7h às 16h e será responsável por acompanhar 4.265 famílias. Cada unidade de saúde vai operar em dois turnos de segunda a sexta-feira. “Estou em processo de adaptação, mas o primeiro dia foi muito positivo”, avaliou Serrano. Ansiosa na entrada da USF, a dona de casa Maria Cristina Gomes Dutra, 56, marcou uma consulta. “Vim à unidade pela primeira vez, porque me contaram que chegou médico. Moro aqui, mas ia para Areias (Recife) me consultar”, disse.
Nivaldo e seus colegas estrangeiros estão no estado desde o início de outubro. Eles conheceram como funciona a rede de saúde brasileira, tiveram aulas sobre a legislação sanitária e fizeram curso de português. “Me familiarizei com os principais problemas da comunidade, que são hipertensão e diabetes. Espero contribuir para diminuir a mortalidade, prevendo os problemas”, afirmou a cubana Neida Isabel, 52 anos, que vai atuar em Santo Aleixo.
Apesar da chegada dos 197 médicos até agora, Pernambuco tem um déficit de 900 profissionais, de acordo com o Ministério da Saúde. “Com o programa, vamos garantir que todo município do semiárido pernambucano tenha pelo menos um médico”, declarou o ministro Padilha. Todos os meses, são feitas inscrições para adesão de municípios e médicos.
Fonte: Diario de Pernambuco



