Entidades Médicas denunciam condições precárias de hospitais públicos

Escalas médicas incompletas, demora na entrega dos exames, emergências superlotadas, pacientes nos corredores, instalações elétricas inadequadas, paredes com mofo e infiltrações. Esses foram alguns dos problemas encontrados em cinco hospitais públicos vistoriados pelas entidades médicas de Pernambuco – Conselho Regional de Medicina e Sindicato dos Médicos – durante uma Blitz Noturna, realizada na última segunda-feira (18/11).

O resultado foi anunciado à imprensa, nesta quinta-feira (21), na sede do Cremepe, no Espinheiro. A fiscalização verificou as condições de funcionamento do Hospital da Restauração (HR), Hospital Agamenon Magalhães (HAM), Pronto Socorro Cardiológico de Pernambuco (Procape), Policlínica Amaury Coutinho e Unidade Mista Barros Lima.

“O balanço geral da ação constatou a insuficiência de investimento na saúde pelo Governo Federal, que resulta na situação precária de assistência médica à população”, afirmou o presidente do Cremepe, Sílvio Rodrigues. Um problema comum a todos os hospitais visitados foi a questão dos plantões incompletos. “Enquanto não houver uma definição sobre a carreira médica de Estado, essa situação não mudará”, afirmou o diretor do Cremepe, Ricardo Paiva.

Para o médico fiscal do Conselho, Sylvio Vasconcellos, o problema mais grave do HR, por exemplo, é a instalação elétrica. Plantonistas do hospital relataram que é preciso escolher se ligam o monitor ou o respirador devido à problemas na rede elétrica. Lá, os médicos também encontraram irregularidades na sala vermelha da clínica médica. “Foram identificados 11 pacientes internados, sendo 8 com assistência ventilatória e um paciente internado há mais de 10 dias. Eles deveriam passar o menor tempo possível no local”, afirmou.

Além de avaliar a estrutura e as escalas de plantão, as entidades médicas conversaram com alguns pacientes para avaliar a qualidade dos atendimentos. “Não podemos aceitar que a situação da saúde pública seja banalizada”, afirmou Sílvio Rodrigues.

O presidente do Cremepe também citou a crise que o HC enfrenta.  “O serviço de pediatria está fechado há mais de três meses por falta de profissionais e o de infectologia também pode fechar”, disse Rodrigues.  Segundo ele, o prédio do HC ainda corre risco de ser interditado devido à instabilidade do terreno, já que o hospital foi construído em cima de um córrego. “Tivemos conhecimento de que o solo é drenado com bombas de sucção, porém duas delas estão quebradas”, denunciou Rodrigues. O Cremepe também irá fiscalizar a unidade em breve.

Para o presidente do Simepe, Mário Jorge Lôbo,  o baixo investimento na saúde  resulta na precariedade da estrutura das unidades de saúde. “Todas elas apresentam os mesmo problemas. As acomodações, por exemplo, são ruins para os pacientes e para os profissionais que lá trabalham. Isso é apenas um dos indicativos do hipofinanciamento na Saúde brasileira”, reforçou. Ainda na ocasião, informou que no último dia 06 de novembro, acompanhou o presidente  e vice-presidente do CFM, Roberto D’Avila e Carlos Vital, respectivamente, em viagem à Genebra – Suíça, onde denunciaram na Organização Internacional do Trabalho (OIT)  a falta de isonomia e transparência no processo de contratação dos médicos estrangeiros, através do Programa Mais Médicos, que desrespeitam o Código Global aprovado em 2010. Segundo Mário Jorge, esse modelo de trabalho é análogo à escravidão.

As entidades médicas ainda divulgaram que o relatório final será entregue às autoridades competentes para que as medidas sejam tomadas a fim de solucionar os problemas encontrados.

Fonte: Cremepe/ Simepe

 

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