Todos reprovados

União, Estado e município. Os três foram reprovados em mais uma fiscalização do Cremepe e Simepe, entidades médicas que passaram a exercer papel fiscalizador num Pernambuco unilateral politicamente. Cinco unidades de saúde foram visitadas. Duas ligadas à Prefeitura do Recife e outras três subordinadas às Secretarias de Saúde e Ciência e Tecnologia do governo. Sem falar do Hospital das Clínicas, unidade federal que vai de mal a pior e receberá, mais adiante, a vistoria.

As mazelas comprovadas por meio de fotografias já são conhecidas dos pacientes e acompanhantes. Mas a falta de ineditismo não diminui, sob nenhum aspecto, a gravidade das denúncias. A sala vermelha da maior emergência do Nordeste, o Hospital da Restauração, é a síntese da precariedade. O local é usado para estabilizar o doente, antes de seguir para o quarto. Mas ocorre exatamente o contrário. Por falta de estrutura na UTI, o paciente é enviado para lá. No dia da vistoria, dos 11, 8 respiravam com ajuda de aparelho.

De tudo o que foi apresentado ontem pelas entidades, a coluna faz apenas um reparo. “Não somos contra o Mais Médicos. Somos contra mais escravos”, bradou Ricardo Paiva, do Cremepe. Igualar a adesão do profissional estrangeiro ao programa do governo federal a trabalho análogo à escravidão é um raciocínio equivocado por vários motivos. Cito apenas um: a participação voluntária do médico. Em nenhum lugar do mundo, o escravo é explorado com a sua anuência.

Fonte: Jornal do Commercio / JC nas ruas

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