A audiência realizada ontem no Ministério do Trabalho entre os mais de 300 funcionários demitidos do Hospital Alfa com os representantes da empresa e novos administradores não foi positiva para os trabalhadores. Eles vão levar calote e terão de buscar os valores de direitos trabalhistas na Justiça. O advogado do Alfa, Denis Lira, deixou bem claro que a empresa não terá condições financeiras de arcar com as verbas rescisórias e outras obrigações como INSS e FGTS. O advogado prometeu, no entanto, que os salários de novembro e o proporcional do 13º salário serão pagos até o dia 11, data limite para efetuar o pagamento. Como o prazo de pagamento ainda não estourou os limites legais, o Ministério do Trabalho marcou uma nova audiência para o dia 10.
Segundo Denis Lira, o Alfa não conseguiu superar as dificuldades, que segundo ele foram agravadas após 2008 com a crise financeira internacional. “O grupo desistiu do modelo de operação que resultou em perdas econômicas, não suportou os custos”, declarou. Ele salientou que a própria empresa vinha dando sinais de fadiga há vários meses, com o fechamento de andares inteiros, suspensão de atividades e leitos de UTI. “O grupo resolveu que não conseguiria seguir com a operação.”
O Hospital Alfa faz parte do Grupo Fator, que opera com hospitais e imóveis no Recife, Salvador e Rio. Pertence aos empresários Fernando Rodrigues e Fernando Rodrigues Júnior. Os dois já foram proprietários do Hospital João XVIII que também teve um final polêmico no anos 2000. Apesar de dizer que os valores só serão pagos através da Justiça, o advogado disse que essa é uma “alternativa” que os trabalhadores dispõem, pois “com o tempo a empresa vai honrar com suas obrigações”. O Alfa também tem dívidas com fornecedores e parcela atrasados de INSS e FGTS recolhidos e não pagos. Lira descartou, no entanto, o risco de recuperação judicial.
Paulo André Albuquerque, advogado da associação Ahmar, que passou a administrar o Hospital, destacou que as dívidas do Alfa não têm nada a ver com a nova operação. Ele informou que o grupo iniciou processo seletivo para contratação de novos funcionários e destacou que a Ahmar vinha trabalhando para instalar um hospital em Jaboatão, quando “foi oferecido o negócio do Alfa e a gente aceitou”. Ele não revelou o valor da negociação, mas destacou que a operação do novo hospital, agora batizado de CHS Nossa Senhora das Graças, será bem diferente da anterior. Já os trabalhadores vão tentar provar na Justiça que as duas operações são dois lados da mesma moeda. “Vamos pedir fiscalização do Ministério Público do Trabalho (MPT), pois temos comprovantes de pagamentos e de faturamento com CNPJ do Alfa mesmo depois da mudança de administração, ocorrida dia 1º de dezembro”, disse a coordenadora jurídica do sindicato dos trabalhadores, Mírcia Ferreira.
Fonte: Diario de Pernambuco



