A diretora de Gestão de Pessoas da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), Jeanne Liliane Marlene Michel, rebateu ontem a acusação de que o possível acordo a ser firmado com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) para gerir o Hospital das Clínicas (HC) seria uma forma de privatizar a unidade de saúde. A dirigente, que participou das negociações com o Conselho Universitário, esclareceu que a Ebserh é uma empresa “100% pública”. O convênio, segundo ela, permitirá um acréscimo de 64,7% no número de funcionários do HC.
“Eu conheço bem o Hospital das Clínicas daí. Estive na primeira discussão e apresentei tudo ao Conselho Universitário. O HC está em condições precárias e precisa de ajuda e apoio imediatamente. É necessário lembrar que se trata de uma empresa pública, vinculada ao Ministério da Educação. A discussão morre aí. Não há privatização quando falamos de uma ferramenta de gestão que o MEC criou para gerir seus hospitais universitários. Nós somos do MEC e operamos dentro da legislação das empresas públicas do Brasil”, declarou, em entrevista por telefone.
Jeanne negou que a decisão tenha sido apressada, uma vez que cumpriu os trâmites necessários e foi maturada por pelo menos seis meses, e atribuiu os protestos a uma disputa política. “Há um grupo radical na universidade que tem uma postura ideológica contra a empresa. Existe um conflito corporativo, e os estudantes foram na esteira dessa briga, sem conhecer a lei de criação da Ebserh”, disse.
A Ebserh tem contratos em 12 Estados, gerindo ao todo 16 hospitais. Caso o convênio com o HC pernambucano seja mesmo fechado, o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) já autorizou a criação de 929 vagas por meio de concurso público.
O presidente da Associação dos Docentes da UFPE (Adufepe), José Luiz Simões, disse que a entidade entrou com medida cautelar na Justiça pedindo o cancelamento da reunião do Conselho Universitário que definiu pelo acerto com a Ebserh. “Foi uma reunião tumultuada, feita por um conselho que não representa a universidade, mas o reitor. Não reconhecemos o resultado”, enfatizou.



