Sassepe terá nova gestão

SAÚDE Licitação definirá uma administradora e dois serviços de auditorias externas para aprovação e acompanhamento de procedimentos

O processo de licitação que vai escolher a administradora do Sistema de Assistência à Saúde dos Servidores do Estado de Pernambuco (Sassepe) trará novidades na gestão do plano de saúde dos servidores do Estado. De acordo com o presidente do Instituto de Recursos Humanos (IRH), Francisco Papaléo, controlador do sistema, além da administradora, a concorrência vai escolher dois serviços de auditorias externas: uma para análise de aprovação dos procedimentos médicos solicitados e outra médica, para avaliar se os tratamentos e internamentos em curso são os mais indicados. “Uma análise é documental, de aprovação ou não de procedimentos, e a outra perícia é presencial, na qual o médico ou profissional qualificado vai in loco analisar as despesas com o paciente”, adiantou o executivo. Segundo Papaléo, esse modelo atende a uma determinação do Tribunal de Contas do Estado.

Atualmente é a Baker Tilly quem administra o Sassepe de forma emergencial, num contrato de seis meses. “É contrato de morte súbita. Assim que assinarmos com a empresa vencedora que cumprirá um contrato de 36 meses, encerraremos com a atual administradora”, diz o presidente do IRH, confiante de que a concorrência termine antes do prazo, o que deverá ocorrer em maio de 2014. Em uma das tentativas de lançar o edital, o governo calculou um contrato de R$ 42 milhões pelos três anos de serviços.

A Baker Tilly é uma consultoria multinacional que tem filial no Recife e recebe R$ 578 mil mensais para cuidar dos processos relativos ao Sassepe. O sócio-diretor da unidade pernambucana, Marcelo Sávio, também tem participação acionária numa operadora de planos de saúde local, a Viva Saúde. Para o presidente do IRH, não há conflito de interesses na relação do executivo com a administração do Sassepe. “O que poderia ser errado? A Viva Saúde poderia querer cooptar os servidores do Sassepe para participar de seu plano. Mas um servidor do Sassepe paga R$ 200 para cobrir sua família de 5 pessoas. Não vai trocar esse benefício por uma mensalidade de R$ 1.500, que é quanto ele pagaria no plano privado”, defende.

A Viva Saúde é uma das operadoras do sistema de saúde suplementar (privado) que está com produtos de plano de saúde com comercialização suspensa, conforme determinação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). No caso da Viva, são nove planos com vendas suspensas. Por sua vez, o diretor da Baker Tilly e sócio da Viva Saúde, Marcelo Sávio, separa o foco de atuação de suas duas empresas. Ele também questiona o modelo de restrição utilizado pela ANS.

“A Baker Tilly é uma empresa inglesa que está no Brasil com 8 escritórios nas principais capitais. Além de auditoria e consultoria, fazemos gestão de planos de saúde, temos toda a parte de tecnologia, de backoffice e gestão de contas médicas. Trabalhamos com os planos dos Correios, da PM, Unihospe e outros planos privados”, comentou Sávio. “Recentemente fomos contratados emergencialmente para substituir a antiga gestora do Sassepe, a CRC. A Viva Saúde é um cliente da Baker Tilly e tem a coincidência de eu ser diretor da Baker para o Nordeste e presidente da Viva. Não há nada escondido, tudo bem às claras. Uma operação não tem nada a ver com a outra. A Viva é mercado privado e o Sassepe dos servidores do Estado é outra coisa, com precificação baixa e subsídio do governo”, argumenta.

Sobre os critérios da ANS em relação à suspensão de vendas de nove planos da Viva Saúde, o executivo diz que não há um tratamento equânime. “Liberamos mais de 8 mil procedimentos e tivemos 4 reclamações. O coeficiente utilizado pela ANS não analisa o local. Uma reclamação numa operadora nacional é diluído nacionalmente. O nosso é mais concentrado, porque só atuamos em Pernambuco. Mas isso não atrapalha os usuários e também podemos vender outros produtos”, defende-se. Apesar de criticar a ANS, a Viva Saúde mantinha um índice de reclamações de usuários junto à agência 6,05, número bem acima do índice médio das operadoras do mesmo porte, que estava em 1,04 naquele mês. A Viva tem 96 mil usuários.

Fonte: Jornal do Commercio

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