O corpo de médicos do Hospital Universitário do Vale do São Francisco, antigo Hospital de Urgência e Trauma (HUT), no Sertão pernambucano, decidiram que, caso os seus salários não parem de ser pagos com dias de atraso e irregularidades estruturais na unidade não sejam corrigidas, irão encaminhar um pedido de demissão coletiva ao Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH), empresa que gerencia o hospital universitário, na próxima segunda-feira (17).
Dentre as reivindicações da categoria, alguns pontos ganham destaque, são eles: adequar o número de monitores aos de leitos na sala de recuperação, aumentar o número de pontos de oxigênio e de leitos na sala vermelha, utilizar 100% da capacidade dos leitos das enfermarias, garantir material e roupas cirúrgicas para os médicos e pôr em dia os salários dos profissionais da unidade.
Para o Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), o ideal é que fosse firmado um Termo de Ajustamento e Conduta (TAC) entre o Sindicato, a gestão e o Ministério Público do Trabalho (MPT), no qual diversas propostas de melhorias estruturais para o hospital com prazos de realização pré-determinados e um compromisso de pagar aos médicos sempre nos dias 5 de cada mês seriam acertados.
Caso o TAC não seja firmado até a próxima segunda, os médicos que não possuam vínculo de pessoa jurídica com o hospital prometem protocolar suas solicitações de demissão e encerrar seu vínculo profissional no mesmo dia. Os profissionais com vínculos de pessoa jurídica prometem protocolar o pedido de rescisão contratual também na próxima segunda-feira (17), no entanto, esses profissionais terão que esperar prazo de 30 dias, cumpridos em exercício da função, para interromper suas atividades.
Em contato com o FolhaPE, o Diretor Geral do Simepe, Tadeu Calheiros, disse que a decisão dos profissionais em ameaçar um pedido coletivo de demissão foi o único recurso disponível encontrado pelo grupo. “Nós não conseguimos enxergar sequer uma luz no fim do túnel para o hospital e, através de uma greve, só quem se prejudica é o usuário do serviço”, disse.
O Diretor Geral do Simepe disse ainda acreditar que exista algum problema no repasse de verbas para o hospital. “O hospital conta com um efetivo muito pequeno para o quantitativo atendido, além de que ele também não funciona como deveria. Existem salas fechadas e vários leitos desativados por conta de macas quebradas e falta de colchões. Não sabemos se a culpa é do ISGH ou se são eles que não recebem o recurso para repassar ao hospital”, contou.
Procurada pelo FolhaPE, a assessoria de comunicação do ISGH informou que os salários são pagos com alguns dias de atraso por conta da demora no repasse de verbas para o órgão, que seria feita pela Univasf, e reconheceu que há falta de macas no hospital e que pacientes são alojados em locais indevidos. No entanto, segundo o órgão, isso acontece pelo fato do hospital ser universitário e, por conta disso, de portas abertas (quando é proibido rejeitar pacientes), o que estaria gerando superlotações na unidade. Realidade agravada pelo fato do hospital atender 52 municípios e cerca de 2 milhões de pessoas.
Sobre existirem macas em quantidade insuficiente na unidade, a assessoria do ISGH informou que várias das macas do hospital se encontram em manutenção na unidade e que não há prazo para que elas voltem para o uso. Em relação à queixa do Simepe de que o hospital não possui efetivo suficiente, a assessoria informou que um concurso público para convocação de 700 novos funcionários, entre eles médicos, deve ter edital divulgado até o final de fevereiro.
Fonte: Folha PE



