Médicos vinculados à rede municipal do Cabo de Santo Agostinho se reuniram em AGE nesta segunda-feira (24/02), na sede do Simepe, para discutir a situação da saúde pública no município e a campanha salarial. Na ocasião, foram lembrados os movimentos médicos cabenses e a interrupção da negociação devido à nova troca do secretário de saúde há aproximadamente quatro meses. Em seguida, foram referidos os avanços anunciados pela gestão, tais como a aquisição de 10 novas ambulâncias (3 UTI’s e 7 básicas) e o contrato de prestação de serviços para elaboração do PCCV pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Também foram relatados a permanência de problemas estruturais, falta de medicamentos, exames e insumos, equipamentos sucateados, sensação permanente de insegurança, além de problemas remuneratórios que leva a enorme insatisfação da categoria.
Além das unidades de saúde referidas pelos problemas peculiares de longa data – Hospital Infantil, Maternidade Padre Geraldo, Hospital Mendo Sampaio e SAMU – outros serviços foram apontados como um verdadeiro risco ao exercício profissional, não só pelas dificuldades na assistência ao paciente trabalhando com o desabastecimento do laboratório, aparelhos de Raio-X constantemente quebrados, falta de vigilância efetiva nos serviços, bem como relatos de agressões verbais e danos materiais ao patrimônio.
“Percebemos o quanto estamos todos expostos ao lidar com as limitações estruturais nos serviços. No Hospital Mendo Sampaio, o desabastecimento da farmácia inclui antibióticos fundamentais. Além disso, os pacientes e acompanhantes ficam insatisfeitos e agressivos em vários momentos pelo quadro geral. Há necessidade de improvisar suturas em meio a sala de reanimação que não é o espaço adequado para tal procedimento. Faz-se troca de curativo de ferida infectada no mesmo ambiente de curativo não infectado, por falta de espaço.”, comentou um dos presentes.
“Nossa grande angústia é a dificuldade na assistência no SPA Gaibu, que se encontra sem direção médica, tem um espaço único para o atendimento de crianças e adultos. Se chegar um adulto Politraumatizado será atendido no mesmo espaço aonde aguarda uma criança. Gaibú cresceu muito e está mais violento. O refeitório é ocupado por pessoas não pertencentes ao quadro da Saúde sem uma devida organização e o espaço destinado ao estar médico é ruim, com banheiro insalubre.”, relatou outro colega.
Segundo a diretoria o Sindicato está semanalmente monitorando o chamamento dos aprovados no último concurso e reivindica providências para recomposição dos postos de trabalho. Apesar de especialidades como a Pediatria já não ter mais profissionais a serem chamados no cadastro reserva, ainda há vários profissionais aprovados da clínica médica (plantonistas) e de outras especialidades aguardando chamamento, inclusive diaristas.
O desequilíbrio remuneratório fica evidente ao ser comparado com o Estado e alguns municípios da RMR (Região Metropolitana de Recife), inclusive com o risco de evasão de colegas em virtude dos reajustes salariais do Estado e Recife. “A remuneração dos profissionais médicos do Cabo de Santo Agostinho está deixando de ser compatível com o grau de complexidade da atividade-fim. Ao ser aprovada GPFS (Gratificação de Plantão de Fim de Semana), a diferença entre plantonistas de semana e do fim de semana subiu para 42%. Se compararmos os plantonistas semanais com os do município de Ipojuca, essa diferença aumenta para 60%. Já os médicos da saúde da família se sentem desprestigiados, não só pela discrepância remuneratória do valor líquido em relação aos programas federais, bem como pela forma ainda precarizada de vínculo”, conclui o diretor do Simepe, Adilson Morato.
O Simepe solicitou o apoio do Cremepe para visitas às unidades de saúde. Próxima AGE a ser agendada após a reunião entre representantes do Simepe e da Gestão, com previsão para Março.



