O ministro da Saúde, Arthur Chioro, foi cobrado, nesta quarta-feira (19), na Câmara dos Deputados. Partidos da base de apoio ao governo, comandados pelo PMDB, estão insatisfeitos e impuseram uma série de convocações e de convites a ministros.
Partidos aliados ao governo e da oposição passaram quase toda a audiência brigando por espaço para a oposição, o assunto principal foi o Programa Mais Médicos e o contrato com os cubanos. Durante a sessão, foram exibidos trechos de uma reportagem do Jornal Nacional do mês passado que mostrava a diferença entre os contratos do Brasil e de outros países com os médicos cubanos.
Apesar de o governo sempre dizer que as contratações eram semelhantes, a principal diferença é nos salários. No Brasil, os cubanos ganham menos que os outros médicos do programa. No Chile e na França, por exemplo, os salários são iguais. O vice-líder do PSDB deputado Vanderlei Macris questionou o ministro.
“O senhor tem dito que os médicos cubanos são livres, que não são coagidos. Se o senhor estivesse trabalhando ao lado de outros profissionais com a mesma função que ganhassem mais de três vezes mais que o senhor, o senhor se sentiria coagido?”, questionou o deputado Vanderlei Macris, PSDB-SP, vice-líder do partido.
O ministro disse que antes de virem para o Brasil, os médicos cubanos foram informados de todos os detalhes e assinaram o contrato por livre vontade.
“Eles não vêm pra cá iludidos. Eles sabem exatamente quais as são as condições. Eles são funcionários do Estado cubano, funcionários públicos. Têm sua carreira profissional, têm o seu salário, têm suas condições de trabalho mantidas, têm seu regime previdenciário. Ao final da missão eles retornam para o mesmo posto de trabalho”, ressaltou Arthur Chioro, ministro da Saúde.
O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, que é do PMDB, fez questão de comparecer à sessão. O partido foi um dos principais responsáveis pela convocação de Chioro. Henrique Eduardo Alves minimizou os efeitos do convite e disse que trazer ministros para debates políticos é um dever dos parlamentares.
Fonte: Jornal Nacional



