Meningite ainda preocupa

Apesar de estável, o número de casos de meningite bacteriana registrado em Pernambuco está longe de ser ideal. Até ontem, dia mundial de combate à doença, doze casos foram confirmados pelo Hospital Corrêia Picanço, unidade de referência para doenças infecto-contagiosas no estado. De janeiro a abril desse ano, a doença, levou três desses pacientes a óbito. No mesmo período do ano passado, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES), foram registradas seis mortes com 36 casos notificados e 31 confirmados. A meningite consiste numa inflamação das membranas que protegem o cérebro.

Desde 2010, a vacina vem sendo aplicada na rede pública. “Crianças que tomaram a primeira dose já estão completando quatro anos”, comentou a coordenadora de doenças imunopreveníveis da SES, Ana Antunes. Segundo ela, a redução nas estatísticas deve-se trabalho preventivo como a introdução da vacina e ao protocolo de atendimento mais ajustado. “Os profissionais foram orientados a identificar melhor os sintomas e encaminhar os pacientes suspeitos para a unidade de referência”, observou.

O infectologista Rodrigo da Cunha Menezez, médico do Corrêia Picanço, que participou ontem de evento, realizado pelo Instituto Pedro Arthur, de Minas Gerais, no Parque Dona Lindu, diz que as mortes são um reflexo da falta de informação da população em relação à doença. Segundo ele, a meningite mata porque as pessoas chegam tarde ao hospital. “Infelizmente, ainda há paciente que não resiste ou deixa o hospital sequelado”, lamentou.

Adriana Marques, também infectologista, diz que muitas pessoas confundem ou  associam a doença com dengue ou uma virose. “Mas quem tem fortes dores de cabeça, náusea e febre precisa fazer o exame. Pode não ser meningite, mas é preciso ter certeza”, alertou.  O exame do Líquido Cefalorraquidiano (LCR) é essencial para identificar a doença, mas a população tem medo de se submeter ao teste.  “O método retira um pouco de líquido da medúla, e isso pode ser considerado invasivo, mas de forma alguma, deixa sequelas. Por falta de informação, muitas pessoas pensam o contrário”, explicou Adriana. O resultado do exame sai em menos de uma hora. Se a doença for detectada logo cedo, o paciente tem chances de recuperação total, segundo especialistas.

Pedro Arthur Diniz, 10, sofre sequelas por ter feito exame tardiamente. Ele foi diagnosticado quando tinha apenas um ano de idade.  A bactéria atingiu seu tronco cerebral e, por isso, não consegue respirar de forma autônoma ou se locomover sem a ajuda de uma cadeira de rodas especial. Depois que Pedro contraiu a doença, o pai dele, Rodrigo Diniz, criou o Instituto Pedro Arthur de Combate à Meningite, que busca divulgar a doença entre a população.

Fonte: Pernambuco.com

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