Sem trégua

O Brasil tem merecido referências elogiosas em tratamentos que desafiam o mundo. É o caso da aids, da poliomelite e da tuberculose. As campanhas de vacinação, que chegam aos rincões mais remotos do território nacional, tornaram o país referência da Organização Mundial da Saúde (OMS). O coquetel anti-HIV, além de salvar vidas, apontou caminhos para enfrentar epidemia que desafiava nações ricas e pobres dos cinco continentes.

Outro exemplo de sucesso é o da tuberculose. A enfermidade, chamada o mal do século no período romântico, matou brasileiros de todas as regiões e privou a literatura de grandes talentos. Hoje o enredo da história é outro. Centralizado no Ministério da Saúde, em seis meses o tratamento cura a maior parte dos pacientes.

Causa apreensão, por isso, a notícia da falta de medicamento necessário ao combate à moléstia. Segundo Carlos Brasília, coordenador do Observatório Tuberculose Brasil, vinculado à Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), três unidades da Federação registraram desabastecimento da droga e de um dos testes usados para o diagnóstico – São Paulo, Rio de Janeiro e Petrolina.

O Brasil, vale lembrar, ocupa o 17º lugar no ranking dos 22 países que concentram 80% dos casos de tuberculose. Não pode se descuidar de batalhas que determinam o resultado da guerra. Os números obrigam a manter o foco. Em 2012, a moléstia matou 4.600 pessoas. Interromper o tratamento por falta de remédio é inaceitável. Um dos grandes desafios dos profissionais dos centros de saúde é evitar a evasão de pacientes. Com menos de um mês de cuidados, o enfermo se sente tão bem que não retorna. Resultado: o bacilo cria resistência e dificulta a ação da droga. Ora, o Estado banca a terapia integralmente. Oferece os remédios sem custos e tem ténicos qualificados para acompanhar os doentes. Permitir o desabastecimento é tiro no pé.

Fonte: Diario de Pernambuco

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