Planos estão na UTI

A proibição da venda de 65 planos de saúde de 16 empresas vem ao encontro das preocupações dos brasileiros. Segundo pesquisa Datafolha divulgada em março, a saúde ocupa o primeiro lugar no ranking de apreensões do cidadão. A pena, válida por três meses, deve-se a dois desvios — desrespeito ao prazo máximo de atendimento e negativas indevidas de cobertura. Significa que 586 mil segurados têm dificuldade de marcar consultas e, quando conseguem, correm o risco de não terem reconhecido o direito de fazer exames complementares ou de conseguir vaga em UTI ou leito em hospital. Se entrar na linha em três meses, a instituição terá os convênios reativados. Caso contrário, a comercialização permanece suspensa. Das 16 apenadas, 14 são reincidentes. O grande percentual de recaídas permite entender melhor o levantamento do Datafolha. O brasileiro sente-se desamparado. Vive situação retratada pelo dito “se ficar, o bicho pega; se correr, o bicho come”. Obrigado a pagar o SUS, não recebe a contrapartida esperada. Dispõe-se, então, a aderir a previdência privada.

O resultado não muda. A lentidão do Judiciário estimula a crença na impunidade. Até transitar em julgado, uma causa pode levar décadas. Se depender da sentença para ter acesso à saúde, morre-se antes, bem antes. A Constituição assegura o acesso universal à saúde. Mas passar do papel à realidade exige algo mais do que palavras. Exige recursos e gestão profissional. Ao longo da campanha pela disputa por cargos eletivos, os candidatos demonstraram conhecer o problema e ter resposta adequada para enfrentá-lo.

Não só o sistema público de saúde pede mudanças: 45% dos brasileiros mostraram insatisfação tanto com o SUS quanto com convênios privados. O quadro torna-se mais grave quando se analisa a mudança do perfil demográfico nacional. Com o envelhecimento, a população precisará de mais assistência médica e hospitalar.

Fonte: Diario de Pernambuco

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