Uma gotinha pode salvar vidas

“O que eu faço é uma gota no meio de um oceano. Mas sem ela, o oceano será menor.” (Madre Tereza de Calcutá).  Há quarenta anos surgia, no Recife, um hospital que mudaria o conceito da assistência à saúde em nosso estado. Carinhosamente é conhecido na comunidade como o “Albert Sabin”. Se vivo fosse, o nosso patrono, o cientista e descobridor da vacina contra a poliomielite, o Dr. Albert Sabin, falecido em 1993, aos 86, estaria orgulhoso de termos honrado seu legado em defesa do aprimoramento da assistência à saúde.

O Centro Hospitalar Albert Sabin, por ocasião das comemorações dos seus 40 anos de existência, teve a satisfação de finalizar o ano comemorativo, realizando o I  Fórum Saúde e Gestão.  O objetivo foi discutir os avanços nas áreas da saúde e gestão, expectativas, anseios da coletividade e dos atores na assistência à saúde, a melhoria da qualidade, transparência e cumprimentos dos preceitos legais. As demandas que geram conflitos entre usuários, operadoras de planos, profissionais  de saúde, governo,  prestadores de serviços e a judicialização tornaram-se regra e não exceção. Poucas vezes as questões são solucionadas pelo órgão regulador governamental. Outras terminam nos órgãos de defesa do consumidor, Ministério Público, Defensoria Pública, Delegacia do Idoso, da Criança e Adolescente, Associações de defesa de usuários do SUS /planos de Saúde, entre outros. Parece que o vilão desse caos estabelecido é o prestador de serviço médico/hospitalar. O interesse de prestar uma assistência à saúde de qualidade, tanto no Sistema Único de Saúde, quanto na Saúde Suplementar, é ponto pacífico dos hospitais e congêneres, Sistemas de Saúde e Poder Público.

Precisamos que as regras fiquem bem estabelecidas. Só muda o comportamento quem muda o pensamento. É preciso trocar as lentes para mudar o olhar. Por isso que muitas vezes insistimos, insistimos e nada muda. Não enxergamos o óbvio.  Não há mudança quando não queremos. Elas só virão quando impactadas por informação  que nos faça refletir e aderir a uma nova forma de se relacionar.

Temos que repensar o modelo. Saúde não pode ser apenas um mote eleitoreiro. Tem que ser enfrentada com obediência à constituição e regras  bem definidas. A nossa Carta Magna diz: “saúde é um direito do cidadão e dever do estado”. Repetimos  o aforismo: saúde  não tem preço, mas tem custo. Se com uma gotinha o Dr. Albert Sabin contribuiu para a erradicar a paralisia infantil, o Hospital Albert Sabin espera  ter contribuído, com a realização desse evento, lançado nesse mar tenebroso que é a assistência à saúde no nosso país, um pingo de esperança na mudança da conjuntura vigente, paralisada por falta de um marco regulatório objetivo, menos burocrático e mais ágil. Mais saúde e respeito. É o que todos almejamos.

Fonte: Diario de Pernambuco

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