Conforme havia adiantado na semana passada, o presidente do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), Silvio Rodrigues, ratificou em audiência no Ministério Público Federal (MPF) nesta quinta-feira (20), em Petrolina, todas as denúncias contra o Hospital Universitário (HU), que vão desde atendimento ineficiente à falta de insumos básicos e de profissionais, além de condições precárias de trabalho.
Baseado nos relatórios de fiscalização feitos pelo Cremepe desde o início do ano até agora, Silvio voltou a afirmar que a unidade médica reduziu o número de profissionais.
“Antes havia três cirurgiões gerais na emergência, que é o mínimo para um atendimento adequado, mais dois anestesistas de plantão e dois nas (cirurgias) eletivas. Agora, existe apenas um anestesista de plantão e outro na eletiva. Na fiscalização que fizemos, esse de plantão foi chamado de última hora porque não ia ter outro no plantão naquela escala”, revelou Silvio. Ele não soube precisar, no entanto, se houve demissões de médicos devido a uma “complexa relação trabalhista”entre os profissionais e a direção do HU.
Sobre as declarações à imprensa local feitas por um representante do Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH), o qual contestou o relatório do Cremepe afirmando que os problemas detectados “são pontuais”, Silvio afirmou que o HU deve ser gerido como hospital, não como uma empresa. “Problemas pontuais de um, dois, três dias levam a uma fatalidade de alguma família que precisa do atendimento. Quando essas pontualidades começam a ser frequentes, existe o risco para vários pacientes. É preciso uma administração específica para a saúde. Um hospital não é como uma fábrica, uma indústria”, ponderou.
Atualmente o ISGH administra provisoriamente o hospital, que é de responsabilidade da Univasf, a qual terceirizou o serviço. A responsável por gerir a unidade será a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH).
Interdição
O presidente do Cremepe reconheceu que o HU acaba recebendo pacientes de outros municípios que não ajudam na pactuação, ou seja, não financiam o atendimento desses pacientes e a conta acaba recaindo para o hospital. Ele justificou no entanto que a situação não é só de Petrolina, mas de todo o país, e reforçou que esse papel cabe também aos governos estaduais e União.
Perguntado sobre a possível interdição no HU, Silvio adiantou que a plenária do Cremepe que analisará a questão acontecerá na próxima segunda-feira (24), às 18h. Na ocasião será apresentado aos conselheiros o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) a ser assinado pelos gestores do hospital – ISGH e Univasf – junto ao MPF para ser analisado na plenária. Daí sairá a decisão de intervir ou não no HU.
Segundo Silvio, o Cremepe tem autonomia apenas de fazer exigências à direção técnica do hospital (hoje sob a responsabilidade de Paulo Saad) com vistas a melhorias no atendimento. A partir do envolvimento do MPF, as coisas mudam de figura. “É fundamental que o MPF entre nessa discussão, para que os gestores da Univasf, do ISGH e o Ministério da Saúde sejam penalizados a gerir a saúde de forma adequada, o que, a nosso ver, não vem ocorrendo em Petrolina”, finalizou.
Fonte: Blog do Carlos Britto/Petrolina



