Ouricuri – O promotor de Justiça de Bodocó (Sertão do Araripe), Adriano Camargo, assegurou que vai recomendar à Secretaria de Desenvolvimento Social do município providências quanto ao atendimento médico e social do deficiente mental Adão Castro de Andrade, de aproximadamente 35 anos, que vive em cárcere privado no vilarejo de Sítio Ferreira, na Zona Rural. Camargo prometeu também requisitar ao Conselho Tutelar uma fiscalização das condições em que vivem os irmãos do deficiente. A equipe 1 da Caravana Cremepe/Simepe verificou que pelo menos três crianças com menos de sete anos vivem no local. O pai delas, o aposentado Francisco de Castro Andrade, de 70 anos, informou à equipe que eles não freqüentavam a escola. “Aqui, só aceitam crianças depois dos seis anos”, disse ele.
O promotor informou à presidente do Cremepe, Helena Carneiro Leão, por telefone, nesta quarta-feira (24/08), que dará prazo de cinco dias para os dois órgãos adotarem providências. Camargo dispensou a equipe da Caravana de formalizar a ocorrência junto à promotoria ou mesmo de enviar um ofício relatando o caso. “Ele me disse que já iria tomar as providências com base nas informações que passamos por telefone e me garantiu que iria preparar, hoje mesmo, um ofício para a Secretaria de Desenvolvimento Social de Bodocó e ao Conselho Tutelar”, relatou Helena Carneiro Leão.
O caso do cárcere privado do deficiente mental foi descoberto nessa terça-feira pela equipe 1 da Caravana, depois de receber a denúncia de um dos entrevistados da pesquisa que promove em cada cidade visitada, sobre as condições de vida e a prestação de serviços públicos. O aposentado Francisco de Castro Andrade admitiu que mantém “há anos” o filho Adão Castro trancado em um casebre anexo à sua casa.
O aposentado assegurou que o deficiente não sofre maus-tratos. Admitiu, porém, que ele nunca foi assistido por um psiquiatra nem passou por exames clínicos. Também informou que ninguém tem acesso ao casebre para higienizá-lo e que não há controle sobre a alimentação dele.




