Enquanto você dormia

O caminho percorrido pelo paciente, deitado emumamaca de hospital, do quarto até a sala de cirurgia é tenso. Uma mistura de solidão, ansiedade e medo do desconhecido fazem com que aqueles poucos minutos fiquem parecendo uma eternidade. De repente surge o bloco cirúrgico, ummonte de aparelhos, uma luz diferente e pessoas commáscara que faz você se sentir como se estivesse emumsonho frio. Então, uma voz tranquila e segura pede para você contar: Dez, nove, oito… Quando você acorda, algum tempo depois, a cirurgia já acabou. Você não sentiu nada, nemo tempo passar. Mas, enquanto você dormia, muita coisa aconteceu… Uma cirurgia bem sucedida é um trabalho emequipe. Cada umcomseu papel, todos importantes. Mas queria aproveitar este mês de novembro em que sediamos o 61° Congresso Brasileiro de Anestesiologia (CBA), reunindo emPernambuco, 2.500 anestesistas de todo o País e também especialistas nacionais e estrangeiros; para falar sobre o papel do anestesista no ato cirúrgico. Ele é o médico que administra o anestésico e cuida do paciente durante a operação. Controla a pressão arterial, pulso, ritmo cardíaco, respiração, temperatura e outras funções fundamentais para que o paciente não sofra, sinta-se seguro e o cirurgião possa trabalhar com tranquilidade. Isso, de maneira geral, o público tem conhecimento. Oque nem todos sabemé que, cada vez mais, o anestesiologista deixa de ser aquele profissional que só atua na sala de cirurgia. Para que os momentos durante a operação sejam ainda mais seguros e bem sucedidos, o anestesiologista precisa conhecer o paciente como um todo. E isso só é possível com o acompanhamento antes e depois da operação. Uma questão central na atuação do anestesiologista é a preocupação com a segurança do paciente durante o processo cirúrgico. Um exemplo disso é a utilização do “Protocolo de Cirurgia Segura”, estabelecido em 2009 pela Organização Mundial de Saúde. O protocolo orienta os profissionais a fazerem uma checagem padronizada antes e após uma intervenção cirúrgica. A inspiração para a adoção do protocolo veio da aviação, queminimizou radicalmente o número de acidentes aéreos ao implantar “checklists” obrigatórios. O procedimento adotado pelos profissionais de saúde é semelhante ao que é feito por pilotos de avião e também reduziu o número de óbitos durante as cirurgias. Ainda é importante ressaltar que a evolução tecnológica, com equipamentos e fármacos mais eficientes e eficazes, tem contribuído bastante para a qualidade e segurança durante a anestesia. Mas nada disso seria possível sem o investimento no humano. Na formação e constante aperfeiçoamento profissional dos anestesiologistas. Neste ponto, entidades de classe, como a Sociedade de Anestesiologia do Estado de Pernambuco (SAEPE), têm desempenhado um papel importante oferecendo sistematicamente cursos e treinamentos aos seus associados. Então, se algumdia você precisar ser atendido em uma sala de cirurgia e ouvir uma voz calma e segura pedindo para contar: Dez, nove, oito… relaxe e durma tranquilo. Você estará em boas mãos.

Fonte: Folha de Pernambuco

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