Bodocó – Um caso de cárcere privado de um deficiente mental foi flagrado pela equipe 1 da Caravana Cremepe/Simepe nesta terça-feira (23/08) no vilarejo de Sítio Ferreira, na Zona Rural de Bodocó (Sertão do Araripe). O aposentado Francisco de Castro Andrade, de 70 anos, mantém o filho Adão Castro de Andrade, de aproximadamente 35 anos, preso em um casebre conjugado à casa onde mora com a mulher e outros 12 filhos. Ele justificou que a medida é uma cautela, pois Adão seria agressivo.
A coordenadora da equipe, a presidente do Cremepe, Helena Carneiro Leão, informou o caso à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e à Delegacia de Polícia da cidade, onde foi registrado um boletim de ocorrência. Nessa quarta-feira (24/08), Carneiro Leão irá tratar do caso com o promotor de Justiça de Bodocó, Adriano Camargo.
A equipe descobriu o caso depois de receber uma denúncia de um dos moradores que havia respondido o questionário da Caravana avaliativo sobre os serviços públicos na cidade. Ao chegar ao local, distante aproximadamente 10 quilômetros do Centro de Bodocó, o grupo da Caravana encontrou o deficiente sem roupas no casebre, que não estava em boas condições de higiene.
O aposentado admitiu que mantém o filho trancado “há alguns anos”. Ele também disse que Adão nunca havia tomado qualquer medicação prescrita por médicos psiquiatras nem recebia atendimento clínico. “Nós tentamos levá-lo ao médico (psiquiatra), mas ele não vem aqui. Veio umas duas vezes o pessoal do PSF (Programa de Saúde da Família), mas depois não voltou mais. Não temos condições de levá-lo a médico ou hospital”, relatou, afirmando sustentar a família com uma aposentadoria de dois salários-mínimos (R$ 990).
Francisco de Castro garantiu que Adão não sofre maus tratos, mas reconheceu que ninguém entra no casebre do deficiente para higienizá-lo ou verificar seu estado de saúde. A alimentação é entregue a ele por sobre um pequeno muro que separa o casebre do quintal da casa do aposentado, mas nem sempre é conferido se ele de fato se alimentou. O casebre é uma construção rústica de alvenaria com aproximadamente 20 metros quadrados, cuja porta é travada por dois troncos de madeira. Quando estica o pescoço por sobre o muro é que o deficiente ver as pessoas que passam pelo local.
Por telefone, a presidente do Cremepe informou o caso à assistente social da Secretaria de Desenvolvimento Social, Ana Rosália, a quem pediu providências, para que a secretaria promova o atendimento social e médico do deficiente e da família. “O município tem condições para isso, porque conta com um psiquiatra e clínicos em seus quadros”, argumentou. A assistente social assegurou que atenderá ao pedido.
Helena Carneiro Leão informou que irá solicitar do promotor de Justiça o acompanhamento do caso e que ele tome medidas, se necessário, para que o município preste assistência ao paciente e à família. “É uma questão de Direitos Humanos que precisa da tutela do Ministério Público”, afirmou ela. A postura do pai ante o filho deficiente também será entregue à avaliação do representante do Ministério Público.



