O câncer de mama é o que mais mata mulheres no mundo. Apesar de ser mais presente entre elas, a formação de nódulo maligno também acomete os homens. A doença é diagnosticada, atualmente, com exames de imagem como mamografia e ressonância, quando já é possível verificar o tumor formado. A tecnologia aplicada de biossensores retende quebrar essa dinâmica de confirmação do câncer. Antecipação é a palavra chave do projeto encabeçado pela pesquisadora Deborah Zanforlin, doutoranda do Laboratório de Imunopatologia Keizo sami (Lika) da Universidade Federal de Pernambuco UFPE). Em conjunto com o C.E.S.A.R e outros pesquisadores, Deborah tenta provar cientificamente que é possível identificar o processo inicial do câncer, antes mesmo que se formem os tumores. Basta 1 ml de sangue e o resultado estaria em mãos em 30 minutos. O que há alguns anos seria utopia pode virar realidade em dois anos desde que haja investimento. Deborah anforlin é a segunda entrevistada da Folha a série Biossensores, que ontem apresentou s estudos de Danielly Ferreira sobre um teste rápido ara HPV16. Amanhã, último dia das reportagens presentaremos o dispositivo para o câncer de próstata que está sendo trabalhado pela pesquisadora ariana Arruda.
Que ganho representa para a população a introdução desse novo tipo de diagnóstico? A proposta é desenvolver um sistema simples, rápido, barato e portátil para o diagnóstico da doença. Para isso, nosso time trabalhou em duas vertentes: a primeira foi o desenvolvimento de um robô para a extração de material genético do sangue e a segunda foi o desenvolvimento de chips biossensores para o reconhecimento de um marcador genético presente em pacientes portadoras da doença. A ideia é reconhecer um marcador , que é desprendido pelas células quando o processo inicial do câncer está acontecendo. Esse marcador é liberado quando as primeiras células estão em estado cancerígeno (independente do tipo de câncer de mama). O sistema integrado proposto será capaz de fazer o diagnóstico seguro da doença em até 30 minutos. Atualmente, as máquinas para extração utilizadas chegam a demorar 4h. Como começou a formulação dessa ideia? Surgiu da união da minha tese de doutorado (relacionada ao desenvolvimento de biossensores) com a de uma grande amiga, a bióloga Roberta Godone, que já trabalhava no estudo de marcadores para este tipo de câncer. Em seguida, o Lika fez uma parceria com o C.E.S.A.R. com o intuito de produzir este biossensor acoplado a um robô para que o sistema pudesse chegar mais rápido aos pacientes. No que a pesquisa já avançou? Nos últimos sete meses este time vem trabalhando para este objetivo. Atualmente, conseguimos construir um protótipo do robô para extração de material genético e conseguimos desenvolver um chip b i o s s e n s o r para o diagnóstico da doença. Fizemos alguns testes de laboratório e já conseguimos provar que, com o sangue de pacientes já diagnosticadas com a doença, o dispositivo responde positivamente. Já com pacientes sem a presença do câncer, o biossensor responde negativamente. Usamos como padrão para diagnóstico as técnicas já utilizadas como mamografia e biopsia. Nosso sistema, diferentemente, utilizará apenas amostras de sangue para evitar o desconforto e dor das pacientes. Como funciona o exame? Extraímos 1 ml de sangue do paciente e colocamos no robô que faz tudo, da extração do DNA, a avaliação na fita teste e já dá o resultado. O objetivo é que no futuro o equipamento seja portável e a coleta não passe de um furo no dedo. Em que fase estão os estudos? Estamos entrando agora na fase clínica, em que iremos testar o biossensor com uma ampla quantidade de amostras de pacientes diagnosticadas e não diagnosticadas com a doença para comprovar a eficácia deste sistema. Queremos ainda provar que o sistema proposto irá conseguir detectar o câncer antes da mamografia e sistemas usuais, podendo aumentar as chances de cura das pacientes. Sobre a amostragem, precisaremos em torno de mil amostras para esse processo de validação. Inicialmente, iremos confirmar o sistema pra mulheres, e posteriormente, para população masculina. Já começamos a fase de seleção das amostras. Existe previsão sobre quando ele poderia ser lança do no mercado? O momento agora é para a busca de financiamento para a continuação do projeto para terminarmos as pesquisas necessárias para o desenvolvimento final do protótipo. Já possuímos alguns parceiros como o Hospital do Câncer de Pernambuco e o Hospital Barão de Lucena e estamos à procura de mais investidores para colaborar com o projeto. A ideia é que possamos colocar um protótipo para ser testado em hospital daqui a dois anos. Atualmente os testes ainda estão sendo realizados em laboratório de pesquisa. Há valores de custo se implantado no SUS? Não temos ainda uma projeção de valores. Mas pelos custos atuais, temos a certeza que sairá muito mais barato pra o sistema público do que o sistema de mamografias já utilizado. No futuro o dispositivo pode substituir a mamografia? Pode para o diagnóstico. Pesquisas do Instituto Nacional de Câncer Americano afirmam que os casos de falso negativos em mamografias podem chegar até 20%, o valor extremamente alto. O intuito é provar que a técnica que estamos propondo é mais sensível que as atuais e que pode detectar o câncer ante dos equipamentos disponíveis no mercado, portanto vai salvar mais vidas. O biossensor de mama parti cipoude uma competição mundial de tecnologia e ciência Qual foi o resultado? Este projeto foi levado par uma competição internacional de biologia sintétic (iGEM) realizada pela universidade do M.I.T. em Boston Competimos com outros 24 times do mundo inteiro. time que foi defender este projeto nesta viagem foi composto pelos estudantes de graduação e pós-graduação Roberta Godone, Mirella Monteiro, Lucas Cavalcanti, Raphael Brito e Filipe Villa Verde liderados por mim e pelo professor Zé Luiz. Conseguimos trazer a medalha de prata e uma das categorias da com petição para este projeto recifense. Para a gente, a premiação do M.I.T. foi a certeza que estamos no caminho certo. Além disso, tivemos oportunidade de conversar com muitos outros times do mundo, que parabenizaram muito nosso trabalho, o que foi muito gratificante.
Fonte: Folha de Pernambuco



