A cirurgia bariátrica, popularmente conhecida como redução de estômago, é a última instância para tratar a obesidade e doenças associadas ao excesso de peso. Para ser realizada com risco mínimo de complicações, a operação requer boa infraestrutura hospitalar, preparo do paciente e experiência da equipe interdisciplinar. Ao considerar esses requisitos, o Conselho Federal de Medicina (CFM) acaba de aprovar a criação da área de atuação em cirurgia bariátrica.
“Isso permite intensificação de ações na formação dos cirurgiões e oferece caminhos que prezam pela segurança de quem se submete ao procedimento”, diz o cirurgião Josemberg Campos, presidente eleito da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) para o biênio 2015/2016. Professor do Departamento de Cirurgia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ele reforça que, com a chancela do CFM, os hospitais públicos que realizam a cirurgia bariátrica só têm a ganhar, já que os principais centros de treinamento no Brasil estão nos estabelecimentos conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS).
“À frente da SBCBM, vamos trabalhar para Pernambuco expandir a cirurgia bariátrica nos serviços públicos de saúde. Além disso, o Estado será incluído num projeto piloto nacional do procedimento em pessoas com diabete”, garante Josemberg. Outra luta dele está voltada para um trabalho que estimule o aumento de operações realizadas pela rede pública. Das 88 mil cirurgias bariátricas que devem ser realizadas até o fim deste ano no País, apenas 10% são via SUS.
No Hospital das Clínicas (HC/UFPE), a demanda reprimida de pacientes na fila pelo procedimento é imensurável. É o que informa o chefe do Serviço de Cirurgia-Geral do hospital, Álvaro Ferraz. “Só temos capacidade para realizar três ou quatro cirurgias por semana”, diz o médico. Ele sublinha um entrave: “Para cada intervenção, determinamos um prejuízo de quase R$ 2 mil para o hospital. Por isso, precisamos lutar para ampliar o financiamento da cirurgia bariátrica pelo SUS”.
No Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), a espera também é grande. “Cerca de 500 pacientes aguardam o procedimento”, informa o cirurgião do hospital Walter França. Para ele, o aumento do custeio desse tipo de intervenção e a criação de uma fila única, como acontece com os transplantes, podem reduzir a demanda reprimida.
Outro detalhe evidenciado pelos médicos está relacionado ao perfil dos pacientes da rede pública. “São pessoas em condições graves porque têm obesidade associada a outras doenças, problemas sociais e psicológicos. Preocupa também o fato de serem desnutridos porque têm dieta pobre em proteínas”, frisa Álvaro Ferraz.
Pela severidade da obesidade mórbida, muitos pacientes precisam se internar para perder peso antes da cirurgia e receber apoio psicológico para lidar com o pós-operatório. É o caso do profissional autônomo André Braga, 35 anos, que precisa eliminar 20 quilos para se submeter ao procedimento. Já perdeu 12 quilos.
“Há quatro anos, luto para ser operado. Quando me informaram que fui selecionado para a cirurgia, fiquei muito feliz. O internamento aqui no HC funciona como um spa. Somos preparados por vários profissionais para sermos operados com segurança”, conta André. Ele não vê a hora de jogar bola e correr como fazia antes de engordar. “Era professor de artes marciais e, por um fato que me abalou, comecei a ganhar muito peso. Quero voltar a ter uma vida ativa e longe de preconceitos”, finaliza André.
Fonte: Jornal do Commercio



