Carnaubeira da Penha – A caravana Cremepe/Simepe chegou nesta segunda-feira (22/08) a Carnaubeira da Penha, cidade localizada no sertão do Estado, com mais de 11 mil habitantes. Distante cerca de 484 quilômetros do Recife, Carnaubeira vive, nas palavras de um morador da cidade, um inferno silencioso. De acordo com ele, a cidade é utilizada como ponto de troca e comércio de drogas, fazendeiros comandam programas com meninas de 12 a 15 anos, o transporte público e de estudantes universitários é feito em caminhões, todo prefeito entra descalço e sai rico e até um policial chegou a afirmar que não confia na sua mão direita. Mesmo assim, os moradores não falam sobre esses assuntos, com medo de represálias.
Carnaubeira tem, na Unidade Mista Argemiro José Torres, a única saída para o socorro imediato à população. São 17 leitos de internamento e, diariamente, de 60 a 80 atendimentos em clínica médica, cirurgia, pediatria e obstetrícia. O hospital tem escala completa até os sábados. Aos domingos, não há médicos ou enfermeiros de plantão. Da mesma forma, a unidade não tem capacidade de atendimento para pacientes com fraturas ou ferimentos mais extensos. O laboratório só funciona de segunda à sexta e o raio X tem potência reduzida com abrangência apenas para pessoas magras. As funcionárias da lavanderia não usam equipamentos de proteção individual, como botas ou luvas.
A cidade tem 27 escolas municipais, distribuídas entre a sede e as áreas indígenas Pankará e Atikun. O alento está na PE-425, que liga Mirandiba a Carnaubeira, em ótimas condições de conservação.
O debate da caravana ocorreu na Escola Municipal Profª Maria Pires Soares, que tem 817 alunos, do pré ao 9º ano e funciona nos três turnos. Há dois anos os alunos não recebem fardamento na escola. Alguns aspectos chamam a atenção na escola, a começar pelos salários dos professores, divididos entre concursados e contratados. Os concursados recebem cerca de R$ 900 mensais. Já os contratados recebem entre R$ 400 e R$ 200 reais. A professora Nivalda – nome fictício – afirmou que os contratados têm que dividir o salário com mais de uma pessoa. De acordo com ela, como os contratos com a prefeitura não podem repetir os nomes anualmente, passam para outros professores, que têm que dividir o salário. São comuns os casos em que um cheque de R$ 600, por exemplo, é dividido por três professores.
Curiosidade – Numa escola com mais de 800 alunos e 200 só da educação infantil, o banheiro masculino tem dois mictórios instalados com mais de um metro de altura do chão o que, de acordo com a professora, faz com que a maioria dos alunos urinem no chão.
De acordo com o médico Luiz Domingues, situações simples como alimentação não recebem o cuidado essencial para atender os alunos da unidade, fazendo com que muitos rejeitem a merenda. Apesar dos problemas pontuais, Dra. Maria Alécio, médica fiscal do Cremepe, destaca as ações positivas com relação ao PSF, muito bem organizados e completos, oferecendo fisioterapeuta, fonoaudiólogo e psicólogo.



