Um ano após a adesão à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), o Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) vai implantar no próximo mês ponto eletrônico para todos os seus trabalhadores. O controle biométrico já existe para os primeiros empregados contratados pela empresa pública criada pelo Ministério da Educação para gerenciar seus hospitais. Deve ser também estendido, em 2015, a outras unidades da universidade e integra o conjunto de mudanças estruturais feitas pela atual gestão do HC, adianta a reitoria.
“Há muito a ser feito no hospital, mas nesse primeiro ano conseguimos realizar de 20% a 30% das medidas necessárias para atingir a qualidade almejada de atendimento”, avalia Frederico Jorge Ribeiro, superintendente do HC. Junto com o controle do ponto, será ajustada a jornada de trabalho, em alguns casos com redução de 40 para 30 horas semanais, em atendimento à mudança em normas federais e internas. O reitor Anísio Brasileiro garante que o processo não será imposto e resultará de negociações com os trabalhadores.
Com a ampliação do quadro de funcionários (281 concursados foram admitidos e até o próximo ano chegará a 881 o total de nomeados), o ajuste no cumprimento de atividades e reformas estruturais, a direção do hospital pretende ampliar a participação ao SUS. “Inicialmente vamos pleitear um aumento de 20% na contratualização de serviços”, adianta o diretor. Ao produzir mais consultas, exames e internamentos para o sistema único, o HC passa também a ampliar seu faturamento, além de aliviar a espera da população por assistência de média e alta complexidade, que hoje varia de um a três meses na unidade.
Segundo o diretor, foi preciso concentrar esforços no primeiro ano na solução de problemas de infraestrutura, como o conserto da maioria dos elevadores, o gerenciamento do lixo e a drenagem do subsolo, além do início da reforma física do prédio. Foram investidos, desde o início do contrato com a Ebserh, em 11 de dezembro de 2013, R$ 8 milhões em obras, além dos R$ 3 milhões mensais faturados junto ao SUS pela prestação de serviços à comunidade. A conta não inclui investimentos extras com o repasse de equipamentos.
Em 2015 o foco será na qualidade da assistência, prometem o reitor Anísio e o superintendente das Clínicas. Uma divisão foi criada para cuidar da regulação interna de procedimentos e do diálogo entre as diferentes clínicas do hospital. Está acima das chefias médica e de enfermagem, funcionando na intermediação de ações conjuntas para um melhor acolhimento e assistência ao paciente. “Não basta o controle de ponto. Estabelecer metas e mudanças no cuidado ao paciente são importantes para que o hospital cumpra com sua função de assistência, ensino e pesquisa”, afirma Frederico Jorge.
É prevista para fevereiro a ativação do aparelho de tomografia PET-CD, que permite diagnóstico avançado do câncer. A máquina, adquirida pela gestão anterior do hospital, já foi instalada e aguarda a nomeação de técnicos, além de autorização da Comissão Nacional de Energia Nuclear e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, para operar. A urgência também deve ser reaberta no próximo ano, com serviços de oftalmologia e otorrino para qualquer usuário do SUS, além de atendimento cardiovascular restrito a casos encaminhados por outras unidades de saúde. O 11º andar do hospital, que nunca funcionou desde a sua inauguração, em 1979, vai abrigar em dois meses 24 leitos de onco-hematologia. Embora tenha espaço para 400 leitos, a unidade tem 371, atendendo 42 especialidades. A marcação de consulta e exames para usuários novos agora é intermediada pela Secretaria Estadual de Saúde em pelo menos 18 clínicas do HC. Consultórios itinerantes de oftalmologia e reorganização da assistência a transexuais estão nos planos. A intenção é ainda recuperar o papel de referência em clínicas que foram vanguarda no passado e avançar na medicina de ponta, intervencionista.
Fonte: Jornal do Commercio



