SÃO PAULO (Folhapress) – A contaminação por bactérias super resistentes a antibióticos em um rio que fica próximo à praia do Flamengo, no Rio, ganhou repercussão em vários jornais e sites internacionais. Isto porque esta praia fica nas imediações da Marina da Glória, local que será palco das competições de vela nas Olimpíadas de 2016. A descoberta da bactéria resistente foi feita por cientistas do Instituto Oswaldo Cruz da Fiocruz. A rede BBC, por exemplo, relata a descoberta da Fiocruz próximo ao evento que terá vários esportes realizados na água, como a vela e remo. Na praia do Flamengo não é comum a presença de banhistas por conta da má qualidade das águas. Normalmente, ela é classificada como “péssima” e acaba sendo evitada por cariocas e turistas. Além desse local, as bactérias produtoras da enzima KPC foram identificadas em outros dois pontos na zona sul da cidade: no largo do Boticário e no Cosme Velho. Essa enzima é responsável por torná-las resistentes aos principais antibióticos utilizados no combate a infecções. De acordo com a pesquisadora do Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar do Instituto, Ana Paula Carvalho Assef, a preocupação é que as doenças provocadas pelos micro-organismos requeiram internação hospitalar. De acordo com Ana Paula, as doenças causadas por estes microorganismos são iguais àquelas provocadas por bactérias comuns, mas os tratamento exigem antibióticos mais po tentes. “Mergulhar num rio onde há bactérias produtoras d KPC é como mergulhar em qualquer rio poluído. Existe o risco de contrair doenças que não são mais graves do que as causadas por outro micro-organismos. O problema é que, no caso de uma eventual infecção, é possível que o tratamento exija uma abordagem de internação hospitalar”, afirma a pesquisadora. Além do risco para a população, os cientistas consideram que a principal ameaça é a disseminação da resistência, que ocorre na medida em que as bactéria são capazes de transmitir genes umas para as outras.
Fonte: Folha de Pernmabuco



