Atividades para pacientes de alto risco aliviam tensão no Imip

Auxiliar na doença, no internamento e na esperança. Cuidar. Esse é o lema de 17 senhoras que conduzem atividades solidárias na enfermaria de gestantes de alto risco do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip). Acolher gestantes que muitas vezes chegam ao hospital numa luta pela própria vida e pela dos bebês não é tarefa fácil para as voluntárias do 4ª andar. O esforço é grande principalmente emacalmar mulheres que passam por longas estadas em uma cama e que, muitas vezes, ficam sem a presença constante da família.

Na falta dos parentes e quando a fé parece fraquejar, as “anjas” sempre aparecem, dando uma de mães, irmãs, tias e amigas levando para longe a tristeza e ociosidade das pacientes. E numa via de mão dupla quem dá, recebe multiplicado amor e gratidão. “A gente fica sempremuito impaciente porque a vontade é de ir para casa. Chorar aqui passa a ser normal. Mas quando elas chegam é sempre com um sorriso no rosto, parecem da família. Distraemnos e todos se animam. Acabam nos ensinando muita coisa também”, disse a gestante Kelri Romessia, 28 anos, grávida de setemeses. Orgulhosa, a jovem mostrava os pontos de cruz que aprendeu a fazer na oficina de bordado promovida por uma voluntária e que enfeitaram algumas peças do enxoval do seu bebê. O trabalhomanual funcionou como terapia para a gestante que acredita na alta antes do Natal. Há ummês internada, Gerlaine Anacleto, 30 anos, é outra que vê alívio na presença das voluntárias. Grávida de gêmeos, a paciente só começou a participar de atividades com as voluntárias, recentemente, porque não podia sair do leito. Nesse período mais crítico foi tomada pelo medo. “Meu apelido aqui é chorinho”, brincou sobre amá fase. Coma saúde física e emocional estabilizada, já se integrou às aulas de bordado e aos cuidados estéticos da voluntária Maria Madalena Viegas, 63. Por falar em Madalena, os cuidados que ela temcomas suas “filhas postiças” agradam. Commãos habilidosas e cuidadosas, a voluntária corta e pinta as unhas dos pés das gestantes, além de fazer drenagem linfática para diminuir o inchaço das pernas das pacientes e aplica massagem relaxante. “Tenho cursos e achei que essa seria minhamelhor contribuição”, disse. Fora o trabalho com as mãos, Madalena também exercita o afeto. “Quando elas estão nervosas nosso dever é acalmá-las. Conheço todas. Como minhas filhas estão morando longe cuidado parte delas chega apenas com a roupa que vestia no momento da internação. Entre os principais itens que podem ser doados pela população ao hospital, fraldas descartáveis e materiais que podem ajudar nas oficinas de artesanato e bordado fazem parte das necessidades. As doações podem ser entregues no setor de voluntariado. O telefone da coordenação dos voluntários é o 2122.4725.

Treinamento é necessário

Quem prefere doar tempo em auxílio aos pacientes também pode. A presidente da Fundação Alice Figueira de Apoio ao Imip, Silvia Rissin, explicou que há um passo a passo para que o candidato seja aprovado ao trabalho na instituição. É preciso ser maior de 21 anos. Antes de mais nada é preciso entrar em contato com o setor de voluntariado para fazer a inscrição. A pessoa pode ligar e acertar a ida ao hospital para preencher a ficha. Depois será agendada a entrevista presencial. Nesta segunda fase, o candidato conversará com um dos coordenadores e serão levados em conta comportamentos sociais e pessoais. Se aprovado, o voluntário deverá passar por um treinamento de dois dias. “Vamos mostrá-lo o que é o Imip, o que é ser voluntário, quais são seus deveres e direitos”, comentou Silvia. Para que haja o treinamento é preciso um grupo de 20 pessoas selecionadas pela entrevista. Assim que termina esse minicurso, a pessoa está apta para os trabalhos no hospital. É possível escolher a área em que se pode atuar, mas é exigido um expediente de quatro horas semanais na instituição. O comprometimento é a essência do trabalho.

Fonte: Folha de Pernambuco

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