Anvisa libera uso médico do canabidiol

Brasília (AE) – O uso terapêutico do canabidiol está permitido no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou ontem por unanimidade a mudança na classificação da substância, presente na maconha. Ela deixa a lista de produtos proscritos e passa a figurar na lista de substâncias de uso controlado. A decisão é fruto de uma discussão iniciada ano passado, quando familiares de crianças que sofrem recorrentes crises de convulsão começaram uma movimentação para a liberação do produto, cujo uso é permitido em outros países. Estudos mostram que o canabidiol, que não tem efeito psicoativo, ajuda a reduzir as crises convulsivas. Katiele de Botoli, mãe de Anny, uma das primeiras pacientes brasileiras a usar o produto para tentar reduzir as crises, emocionouse ao fazer a defesa da reclassificação. “Esse momento é muito importante. Sabemos que não se trata da cura, mas esperança na qualidade de vida das crianças”, disse. “Esperamos que a mudança estimule a realização de estudos científicos para conhecer mais sobre a substância e sua interação com outros medicamentos”, completou. De acordo com Katiele, depois de vários meses com crises controladas, Anny voltou semana passada a apresentar um aumento de convulsões. A piora estava relacionada à interação com outro medicamento, que a menina passou a usar. “Interrompido o uso, as crises foram novamente controladas”, contou a mãe. A presidente da Federação Brasileira de Epilepsia, Maria Carolina Doretto, afirmou esperar que, com a reclassificação, indústrias farmacêuticas passem a sintetizar o produto. Ela defendeu ainda que ele seja rapidamente incorporado no Sistema Único de Saúde (SUS) “Seguindo os padrões estabelecidos pelo Conselho Federa de Medicina”, destacou. Júlio Américo Neto, pai do menino Pedro, também de fendeu a ampliação de estu dos e a criação de uma polí tica nacional da cannabi medicinal, para distribuiçã de medicamentos feitos partir do canabidiol para tra tamento de pacientes. N justificativa de seu voto, presidente em exercício da Anvisa, Jaime Oliveira, lem brou que o canabidiol não é considerado um produto en torpecente ou psicotrópico e não há relatos de que ela possa provocar dependên cia. O diretor Renato Porto, que também votou pela re classificação, fez avaliaçã semelhante. Ele ressalvou no entanto, não haver estu dos que mostrem a eficácia a segurança do produto a longo prazo, uma lacuna que em sua avaliação, é preciso ser reparada.

Fonte: Folha de Pernambuco

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