O relógio marcava 23h40, quando o Washington “Bell” Marques da Silva, natural de Salvador, subiu ao palco para “matar as saudades” de seus seguidores desde a época do Chiclete com Banana, banda que revolucionou a sonoridade do Carnaval brasileiro. E todos sabem das influências da banda nas mudanças no comportamento das pessoas, na maior festa de rua do planeta, além de ter impulsionado a indústria fonográfica, com a gravação dos primeiros CD e DVD em cima de um trio elétrico, em 1997. Tempos que não voltam mais, no entanto, marcaram o caldeirão da música, digo da Axé Music, com ritmo alucinante. A história da banda Chiclete com Banana é a história de Bell Marques, uma das mais queridas bandas de Axé do Brasil com milhares de “chicleteiros” espalhados por todos os estados brasileiros. Uma verdadeira legião de fãs.
No palco, Bell Marques, vestindo calça branca e camisa verde, apresentou, além de canções de sua antiga banda, imortalizadas em sua voz, sucessos de outros grandes nomes da música e faixas do novo CD, batizado de Vumbora. Carisma, irreverência, e forte presença de palco fizeram mais uma vez a diferença do cardápio musical do baiano nascido em Salvador. Mas, é inegável que o bom mesmo é vê-lo “in loco” cantando para seus fãs cativos e fiéis. Sim para gerações de todas as idades, chamados de “chicleteiros” de carteirinha. A cada sucesso enfileirado – Menina Me Dá Seu Amor, Cabelo Raspadinho, Se Me Chamar Eu Vou, Foi Por Esse Amor, passando pelos novos hits Nicolau, Vumbora Vumbora e Amor Bacana, entre outros – no decorrer do show a versatilidade artística ficou à flor da pele, tecida pelos músicos que fazem parte da nova banda (Big Band), escolhida a dedo pelo próprio Bell, com um trio de metais, um violoncelo e até violino, que deixaram os “mortais” livres, leves e soltos naquele turbilhão de emoções. Asas à imaginação!
A banda,formada pelos músicos, Robson Nonato: teclados; Gustavo Caribé: baixo; Junior Figueiredo: guitarra solo; Walmar Paim: bateria;Tiago Nunes: percussão; Jaime Nascimento “Jaiminho”: percussão; Kiko Souza: saxofone; Sinho Cerqueira: trompete; Gilmar Chaves: trombone;Mário Brito “Caverna”: violino e Ricardo Erick: violoncelo, pela disposição e estratégia de tocarem parece mais com o time do Barcelona.
Ao lado da Big Band, Bell não largou a guitarra branca nem sua forma singular de tocar, mesclando os clássicos entoados por sua voz com novos elementos, que resultam em um som mais primoroso e bem elaborado. Em relação ao novo som, não houve mistério, ou seja, a mesma pegada original, com uma levada forte da guitarra e com músicas em alto astral. Essa é a receita apimentada do cantor, que continua agitando corações e mentes. Só mudou de nome. Apenas isso. A bandana, a barba e a irreverência ficaram. Se antes a crítica falava que ele era a alma do Chiclete com Banana, agora temos certeza que em carreira solo, ele é corpo e alma, num artista único. Quem é chicleteiro, vai ser chicleteiro sempre! Ao final do show, lá pelas 3h da madrugada, ficou o gostinho de “quero mais”… Quem viu? Beleza. E quem não viu? Sem rima, deixa prá lá! Fica para outra vez. Vumbora?!
Foto: Luis Fabiano




